Dia do Empreendedorismo Feminino: Rafaela Helbing, CEO da Data Rudder, relata como é ser mulher no mundo da inovação

A startup de Rafaela oferece soluções de inteligência artificial para o mercado financeiro

Neste mês de novembro, precisamente no dia 19, é celebrado o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014 para evidenciar, destacar e valorizar o papel da mulher no ambiente empreendedor. E, no ano em que as startups têm vivido seu inverno, Rafaela Helbing, CEO da Data Rudder, traz um relato pessoal de como é ser mulher e empreendedora no universo da inovação – ela compartilha o dia a dia com sua sócia Thais Nolasco.

A Data Rudder é uma startup de inteligência artificial para o setor financeiro. Com um time enxuto, produtos alinhados às demandas do mercado e clientes e cultura baseada na diversidade, a empresa já recebeu a confiança de grandes investidores, como o Torq, núcleo de inovação aberta da Sinqia. Ao todo, já são mais de R$ 3,8 milhões em aportes.

Confira a entrevista a seguir:

O que o perfil feminino oferece ao mundo empreendedor?

Sem dúvida, um novo olhar, que, por ser novo, é diverso e dinâmico. Estar no ambiente de empreendedorismo em tecnologia é um novo espaço que as mulheres estão ocupando e isso já gera inovação. São novas formas de pensar, organizar e gerir empresas. Isso tem trazido reflexões sobre o impacto da diversidade nos negócios. Estudos recentes, produzidos pela McKinsey, já apontam para o efeito positivo de ambientes diversos. Alguns até demonstram maior rentabilidade das empresas, que melhoraram suas performances em até 33%.

Quais são as dificuldades ainda enfrentadas pelas mulheres?

Se por um lado, temos ocupado mais espaço, avalio que há muito mais a avançar, seja em número, seja no recorte já preenchido. Os cargos de liderança são os melhores exemplos, sempre. No universo do venture capital, investidores questionam empresas lideradas por mulheres e homens de formas diferentes. O esforço feminino de viabilizar uma tese é muito maior: são muitas perguntas e infinitos questionamentos. De modo geral, os homens acabam entrando em mais investimentos e financiamentos que mulheres. O mercado pressupõe que negócios liderados por homens podem ter mais sucesso.

Mas isso claramente não é verdade, pois a Data Rudder, liderada por você, tem tido excelentes resultados. Ao que atribui o bom momento do negócio?

Acredito que a cautela seja uma excelente qualidade feminina e acho que ela soma ao ambiente dos negócios, sobretudo ao das startups. Aqui na Data Rudder tivemos um olhar muito cauteloso, sempre tendo em tela o risco de forma calculada. Neste momento em que o mercado vivencia o inverno das startups, não fizemos um lay off. E isso tem relação com o fato de não termos inflado o time; de priorizarmos um produto que sempre se pagou; de termos uma cultura muito diversa também. Demos sempre passos no tamanho das pernas. Há uns anos, eu era tida como muito conservadora. Diante do cenário atual, acho apenas que liderei um negócio saudável.

Como a Data Rudder promove a igualdade de gênero no dia a dia?

Abraçamos a diversidade, pois gostamos dela. Somos 20, sendo 10 mulheres, 10 homens. Vale dizer que 50% das lideranças são mulheres também. Estamos em vários cantos do país. A diversidade, vale dizer, é muito ampla. Para a gente é importante trazer vários pensamentos para a mesa, todo mundo tem voz, pois sabe que existe segurança psicológica, o que permite que as pessoas estejam sempre muito à vontade.

Descubra mais sobre Crania

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading