Por Nellie Bly
Eu nunca tinha me sentido tão cansada como sentada naqueles bancos. Algumas das pacientes tentavam se sentar apoiadas em um só pé ou de lado, para variar a posição, mas sempre lhes davam broncas mandavam que ficassem eretas.
Se falassem, as censuravam e lhes diziam para calar a boca; se quisessem andar um pouco para relaxar os membros, lhes diziam para sentar e ficar quietas. À exceção da tortura, que tratamento levaria uma pessoa à loucura com mais rapidez? Aquele era mesmo um grupo de mulheres internadas para serem curadas?
Eu gostaria que os médicos especialistas que me condenam por minhas ações, que procuram sua competência, pegassem uma mulher perfeitamente lúcida e saudável, trancassem-na e a fizessem ficar sentada das seis da manhã às oito da noite em bancos de encosto reto, sem oferecer qualquer leitura e sem deixar que soubesse nada sobre o mundo e seus acontecimentos, lhe oferecessem comida ruim e tratamento severo, e então observassem quanto tempo levaria para que ela ficasse louca. Dois meses seriam suficientes para arruiná-la mental e fisicamente.
