Helena Veronese é formada em Economia pela PUC-Rio e pós-graduada em Economia/Comércio Exterior pela UFRJ. Atualmente, ocupa o cargo de economista-chefe da B.Side Investimentos, com passagens por empresas reconhecidas do setor, como Ágora Corretora, Bradesco e Tendências Consultoria.
Fã dos Beatles, a criança que tinha um aeroporto como parque de diversões é hoje uma mãe afetuosa. Além disso, Helena endossa a luta das mulheres por direitos iguais, e traz inspiração de histórias pouco conhecidas. Confira a entrevista a seguir.
Qual a sua melhor memória de infância?
Eu lembro muito do aeroporto que meus pais trabalhavam, o Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Às vezes, eles tinham que passar a noite lá, trabalhando. E eu ia junto para fazer companhia, ficar com eles. É um lugar que remete à minha infância. Ele é um aeroporto aberto, com obras de arte, diferente dos tradicionais. Eu conseguia brincar à beça.
Um livro ou um filme que mudou sua vida.
Eu sou mais de música do que de filme. Poderia falar horas sobre Beatles. É uma banda que acompanhou todas as fases da minha vida. Uma música que ouço sempre com minhas filhas é A Day in The Life, então é muito especial. Quanto a livro, tenho muitos que marcaram minha vida. Meu autor favorito é o Eça de Queiroz, e meu livro preferido dele é Os Maias. Outro autor que amo é Machado de Assis, gosto de todos os livros dele, não tem um específico.
Qual é o seu lugar preferido?
Qualquer lugar que eu esteja com minhas filhas. No entanto, o lugar que mais gostei de conhecer foi o Canadá. Se tivesse que escolher onde morar, seria lá. É um país lindo e que tem respeito pelos cidadãos. Eu voltaria e ficaria lá tranquilamente.
Descreva um dia perfeito.
Um dia com as minhas filhas, no qual eu consiga brincar, almoçar e fazer atividades que gosto — como ler e cozinhar junto com elas. Se pudesse fazer tudo isso em um dia, seria perfeito.
Para você, o que é sucesso?
Embora eu trabalhe no mercado financeiro, para mim, sucesso não está ligado com dinheiro. Acho que está mais ligado à realização pessoal. Claro, o dinheiro traz uma coisa que é essencial para o sucesso que é liberdade. Eu me considero bem sucedida porque consigo ser independente financeiramente — sendo mulher, ter liberdade e independência é muito importante. Mas também sou feliz, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Não adianta ser super bem sucedido financeiramente e não ter um complemento de felicidade. As duas têm que ser equilibradas.
Qual foi a sua maior superação?
Quando meu pai morreu. Eu tinha 25 anos e morava com ele. Eu era uma criança de 25 anos. Acho que foi o momento que eu amadureci, virei adulta mesmo, porque precisei cuidar do meu pai doente, e de tudo que aconteceu depois que ele faleceu. Foi a fase mais desafiadora da minha vida.
Alguém que te inspira.
Tenho lido muito sobre mulheres brasileiras que lutaram pela independência do Brasil. São histórias inspiradoras. Não é algo que guiou minha vida inteira porque é um assunto que estou entrando agora. Mas, nesse momento, a primeira coisa que me vem à mente são essas mulheres. Maria Quitéria, Maria Filipa, Joana Angélica – várias mulheres que a gente não conhece, não está nos livros. Elas pegaram em armas para lutar pela independência. De forma geral, todas que lutaram pela mudança desse padrão, do status quo, são pessoas muito inspiradoras.
Como se vê daqui a 10 anos?
Mais fácil me perguntar qual é a minha inflação de fim de ano [risos]. Eu me vejo trabalhando ainda, com certeza. Gosto de trabalhar e pretendo continuar enquanto tiver saúde para isso. Com minhas filhas já maiores e parcialmente criadas, quero viajar bastante, é uma coisa que sinto falta de fazer.
Se pudesse resolver um problema do mundo, qual seria?
A diferenciação de gênero, que me impacta diretamente. Acabar com o machismo, fazer com que mulheres e homens tenham condições iguais e recebam igualmente no mercado de trabalho, e que tenham as mesmas oportunidades. Em criação de filhos, que seja tudo igual. Se eu pudesse zerar isso, seria bem feliz.
