Viviane Ferreira: “Quando comecei o processo de entender sobre raça, foi algo transformador”

Cofundadora e CHRO da Tiba, Viviane Ferreira é a quinta convidada do Perguntas Para

Viviane Ferreira é formada em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Estácio de Sá. Após passagens em postos de gerência na Pontohub, Pagnet e Blu, foi convidada para integrar o time da Tiba, onde ocupa a função de diretora de recursos humanos.

O Rio de Janeiro é o lugar de origem e de refúgio da empreendedora, que viu sua realidade se transformar através do trabalho. Estudiosa da causa racial, Viviane define como missão particular ajudar as pessoas. Confira a entrevista completa a seguir.

Qual a sua melhor memória de infância?

Lembro muito das festas de família. Tudo acontecia em torno da comida. As minhas tias cozinhavam, cada uma chegava com uma travessa, nós ficávamos em volta da mesa. A minha mãe sempre gostou de festa, mesmo sem condições muitas das vezes, nunca deixou um aniversário passar em branco. Tenho aquela memória afetiva, de conversar e rir com os primos e amigos.

Um livro ou um filme que mudou sua vida.

Estrelas Além do Tempo. Assisti pela primeira vez há um tempo e, desde então, vejo sempre que posso. Quando comecei o processo de entender sobre raça, foi algo transformador para mim. Esse filme é marcante na minha vida principalmente por falar de mulheres negras, da luta para conseguirem uma posição dentro de uma sociedade na qual os negros não tinham vez.

Qual é o seu lugar preferido?

Búzios, no Rio de Janeiro. Eu amo esse lugar, tive muitos momentos felizes ali. A cidade tem uma energia diferente – o Rio de Janeiro em si tem uma energia diferente. Quando você está em outra cidade e chega lá, tem aquela alegria, mesmo com todos os problemas. Em Búzios, sempre me refugiei para descansar, passar aniversários e relaxar. É uma cidade que tem uma gastronomia boa e atende todos os gostos: você consegue comer bem, sair para noitada ou relaxar, se quiser. Para mim, que gosto de praia, é um lugar bem completo.

Descreva um dia perfeito.

Um dia perfeito seria proporcionar um momento de lazer para a família inteira, pois aconteceram poucas vezes. Minha mãe sempre teve que trabalhar muito, cuidar dos filhos, viver com o mínimo. Então, faria uma viagem com ela, meu pai, meus irmãos, todos juntos em um lugar que consigam se divertir.

Para você, o que é sucesso?

Ser feliz fazendo o que gosto e nunca deixar de ser eu mesma.

Qual foi a sua maior superação?

Quando fui morar sozinha, aos 20 anos, por conta do trabalho. Saí de uma realidade completamente diferente, da Baixada Fluminense, um lugar super pobre onde cresci, e fui morar na Barra da Tijuca. Eu me via sozinha. Além do trabalho em si, que era um desafio por se tratar do meu primeiro papel de liderança, no qual precisava manter o time motivado, tive que resolver as questões de morar sozinha. Eu estava em um processo de transição de vida, e muitas pessoas não conseguem avançar ou continuar nessa fase. Portanto, para mim, foi um momento de superação, um divisor de águas na minha vida.

Alguém que te inspira.

Minha mãe. Ela é uma pessoa que conseguiu criar os filhos na escassez e batalhou pra isso. Criou mulheres fortes como ela. E falando de mulher negra, também admiro o trabalho da Sueli Carneiro. Ela fala do protagonismo feminino, leio bastante e aprendo com ela. Foi uma das primeiras mulheres negras brasileiras que conseguiu ser ouvida.

Como se vê daqui a 10 anos?

Eu me vejo com uma família construída, e com a lembrança de que conseguimos fazer a empresa crescer com a minha ajuda. Continuaria minha jornada como empreendedora, acho que nunca vou deixar isso. Ajudar pessoas a evoluir, tenho essa missão na vida. Tem pessoas que passaram por mim e disseram “fui melhor depois que te conheci”. Quero ajudar pessoas como eu a saírem do lugar, e fazer isso até morrer.

Se pudesse resolver um problema do mundo, qual seria?

A fome. Acho que é o maior problema. Se olhar para o Brasil, voltamos para o mapa da fome. Hoje, 33 milhões de brasileiros não têm o que comer. A gente que consegue escolher o que vai comer vive em uma posição de privilégio. Não temos noção do que as pessoas passam. Quando a gente não sabe, é fácil falar. Ainda existem pessoas com fome no nosso século e isso é muito bizarro para mim.

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