6 meses de guerra na Ucrânia: os impactos na economia mundial e o que pode vir pela frente

Especialistas da Alphatree e Frente Corretora analisam principais reflexos do conflito entre Ucrânia e Rússia na área econômica

No dia 24 de fevereiro, a Rússia invadiu o território da Ucrânia por ordem do presidente russo Vladimir Putin. A relação entre os dois países acumulava turbulências desde a metade da última década, e chegou ao status de guerra no início deste ano.

Não existe unanimidade em relação ao estopim do conflito armado — que já vitimou milhares de pessoas, entre civis e soldados, além de outros tantos feridos. A principal hipótese levantada por analistas é a aproximação da Ucrânia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan.

É certo que, após seis meses de guerra, os impactos foram visíveis em todo o globo. “O grande efeito de uma guerra é quando ela começa”, abre a análise Raone Costa, economista-chefe da Alphatree Capital. O grande choque de realidade se deu quando a oferta de produtos no mercado global sofreu uma redução considerável, segundo o economista.

Petróleo e trigo

O grande impacto dessa guerra para o mundo e, consequentemente, para o Brasil foi o aumento de preços das commodities mais básicas, utilizadas como matérias-primas: o petróleo e o trigo. “A Rússia e a Ucrânia produzem bastante ambas, e por conta da guerra saíram em larga medida do mercado internacional”, pontua Raone.

Além disso, o Brasil precisou trocar de fornecedor de outro produto que teve o preço elevado, os fertilizantes. Todavia, o especialista aponta a Europa como a região que mais sofreu com as medidas econômicas envolvendo os países em guerra, principalmente pelo corte de gás natural fornecido pela Rússia, que abastecia cerca de 80% do mercado europeu.

Efeitos no Brasil e preço do dólar

Na visão de Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, os efeitos no mercado foram piores para o mundo do que para o Brasil, especificamente.

“A Rússia é o primeiro grande player direto na captação de investidores internacionais em cima de economias emergentes, como é o caso do Brasil, e acabou por sair desse segmento”, aponta Velloni.

Entretanto, o especialista registra que o Brasil canalizou novos investidores dentro de um movimento de abertura do mercado de commodities, como é o caso do petróleo.

Essa mudança no fluxo de commodities tirou a pressão do dólar, que continuava operando entre R$5,40 e R$5,50. Ao mesmo tempo, houve aperto com relação à inflação mundial.

“A pressão sobre os insumos é um ponto prejudicial, mas a queda do dólar acaba compensando essa variação nos mercados emergentes”, afirma Velloni.

O futuro próximo

Raone retoma a ideia inicial no caso de uma provável continuidade da guerra, de que o impacto maior aconteceu nos primeiros meses e, após esse período, os países vão se adaptando e estabilizando a situação. “Não podemos esperar grandes mudanças se o conflito permanecer dessa forma”.

Segundo Velloni, a economia nacional está bem-posicionada dentro de um cenário de prolongamento da guerra. Ele ressalta que uma crise mais aguda pode se desenrolar principalmente no continente europeu.

“A produção industrial dos países europeus é prejudicada, gerando expectativa no mercado internacional de desvalorização do euro, que já chegou a operar abaixo do dólar, além de uma queda no consumo e comércio mundial”, avalia.

Descubra mais sobre Crania

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo