No tradicional formato pingue-pongue, “Perguntas Para” tem como objetivo conhecer as pessoas que ocupam cargos executivos em suas respectivas empresas. A série faz perguntas que vão desde a infância até obras que influenciaram a vida, atravessando as fronteiras do ambiente corporativo.
E o entrevistado que inaugura essa série é Leonardo Teixeira, sócio da Araújo Fontes. O executivo é formado em Relações Internacionais na Universidade de Brasília e possui diversas especializações, entre elas um MBA na Fundação Dom Cabral.
Profissionalmente, teve passagens pelo Banco Boavista Interatlantico, TCO (atual Vivo), Netuno Internacional, Ferrosider, Grupo Unitas, Análise Estratégica, DFJ-FIR Capital. Atuou também como docente na Universidade de Brasília, Universidade FUMEC e Fundação Cabral.
Confira a entrevista com Leonardo Teixeira.
Qual a sua melhor memória de infância?
Eu morava em Ipatinga, no interior de Minas Gerais. Ao mesmo tempo que é tranquila e pacata, é uma cidade desenvolvida. Eu ia para a escola e depois para o clube com meus amigos. Também brincava sozinho na rua – na época, tínhamos um certo nível de liberdade, não se falava em violência. Todo mundo era conhecido. Tenho muitos amigos lá, ainda.
Um livro ou um filme que mudou sua vida.
Ascensão e Queda das Grandes Potências. Li esse livro no primeiro semestre da faculdade de Relações Internacionais, em 1994. Pela primeira vez, tive contato com a geopolítica. Havia uma análise dos movimentos que vinham pela frente. Ele mostrava o potencial da China de ser o que é hoje, além da questão da hegemonia e como as grandes nações vão caindo e outras assumindo seus lugares. Um olhar mais completo da sociedade, das mudanças de hábito, do avanço da tecnologia, dos conflitos étnicos e religiosos e seus efeitos. Criei uma visão de mundo que, até então, não tinha.
Qual é o seu lugar preferido?
Para falar a verdade, eu prefiro viajar pelo mundo. Então, diria que os aeroportos [risos]. Para mim, não tem uma cidade ou país preferido. Costumo dizer que trabalho para viajar. Gosto de ter contato com outras visões de mundo, cultura, valores, gastronomia. Definitivamente, o meu lugar não é ficar quieto onde moro. É estar batendo perna pelo mundo.
Descreva um dia perfeito.
Com a minha família e amigos, curtindo lugares maravilhosos, em algum show, talvez. No trabalho, seria fazer transações e fechar negócios com clientes. Eu amo o que eu faço.
Para você, o que é sucesso?
O conceito de sucesso é amplo. Vamos separar por esferas. Na profissional, tem que amar o que faz e chegar aos resultados que tanto almeja. Tenho uma visão holística, ou seja, não envolve somente a mim. Se o meu time e os clientes não estão impactados, não considero sucesso. Tem que envolver o todo. Na esfera pessoal, ter uma família harmônica e amigos, e viver cada momento feliz. Sabendo que os problemas são inerentes e que vão acontecer, e ter a maturidade de filtrar e separar o positivo do negativo. Não existe vida perfeita. E não vejo dinheiro como sucesso. Isso é uma consequência daquilo que você faz bem, do trabalho e das escolhas. É útil para ter acesso à saúde e uma vida bacana. Mas o dinheiro não é um fim, é um meio. Você não pode viver por ele.
Qual foi a sua maior superação?
Na fase em que eu saí de casa, aos 18 anos, e fui morar em Brasília, para estudar. Logo em seguida, fui para São Paulo, aos 22 anos, para trabalhar. Fiquei muito tempo distante da família e de vários amigos. Recomecei a minha vida, praticamente. Sem dúvida, esse momento foi um desafio muito grande.
Alguém que te inspira.
Meu pai e minha mãe. São as maiores inspirações e exemplos que tive na vida, cada um com suas características. Meu pai, que faleceu ano passado, era um exemplo de postura, humildade e tranquilidade. Uma pessoa do bem, extremamente correto e profissional. Ele me passou esses valores. Já a minha mãe tem uma personalidade forte e liderança. Ela corre atrás para resolver as coisas, tem proatividade e iniciativa, o que inspirou muito a minha personalidade. Juntando essas características, são influências positivas para mim, como ser humano e profissional.
Como se vê daqui a 10 anos?
Ainda trabalhando bastante, talvez não tão acelerado como hoje. Com a família linda e qualidade de vida. Muito presente ao lado do meu filho, no sentido de desenvolvê-lo profissionalmente. Eu me proponho a ajudá-lo, dentro do possível.
Se pudesse resolver um problema do mundo, qual seria?
O que faz o ser humano crescer é a educação. Se eu pudesse, daria condições de educação para o mundo inteiro, especialmente para as famílias muito pobres, que não têm oportunidade de estudar e se desenvolver. Isso permite ter uma qualidade de vida, mesmo que mínima, ao longo da vida.



