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Saiba os impactos e expectativas para a taxa de juros no Brasil

Especialistas da B.Side, Claritas, RPS Capital e Frente Corretora avaliam decisão do Copom

Na última quarta-feira (03), o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a decisão unânime de aumentar a taxa Selic de 13,25% para 13,75% ao ano. A taxa está no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano. Esse foi o 12° reajuste consecutivo na taxa básica de juros.

A decisão era esperada pelo mercado financeiro. Contudo, os comentários do Banco Central revelam pontos importantes, sobretudo na postura apresentada, diferente das reuniões anteriores.

“A expectativa era uma sinalização mais clara de fim de ciclo, mas o comunicado adotou um tom mais dovish”, afirma Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos. Segundo a executiva, ainda há pouca transparência sobre os próximos passos do BC, que podem ser esclarecidos na ata da semana que vem.

Helena também aponta a grande preocupação com o risco fiscal caso as medidas anunciadas pelo governo – PEC dos benefícios e desonerações tributárias — se estendam.

Inflação nos próximos anos

Na visão de Marcela Rocha, economista-chefe da Claritas Investimentos, o BC admitiu que seu horizonte relevante para inflação alterou, e vai enfatizar no momento a inflação acumulada em 12 meses no primeiro trimestre de 2024.

“O BC vê um balanço de riscos para inflação sem deterioração, bem como a estabilidade dos números correntes. Isso indica um conforto adicional em manter a Selic em 13,75%”, avalia.

Victor Candido, economista-chefe da RPS Capital, descreve o efeito dos ajustes. “A proposta estimula a demanda. O corte de impostos vira renda disponível, que por sua vez aumenta o consumo, aumentando a inflação”.

Por outro lado, o BC aborda o cenário externo de forma positiva, com a queda das commodities e a redução da atividade econômica. “Ajuda na questão da inflação importada que o BC tem que lidar aqui no Brasil”, indica.

“A inflação só não aumenta por conta da redução na matriz energética e o preço do combustível, que tiraram o peso da inflação”, explica Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

De acordo com o economista, o Copom vai ter de sincronizar as ações junto do governo, que lidará com a elevação da dívida pública e a redução do crescimento, previsto para o próximo ano.