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Press Start: holofotes sobre a indústria dos Games estão apenas começando

Jonathan Kim, especialista em M&A na RGS Partners, analisa os altos investimentos no setor de games e as transações mais recentes

*Por Jonathan Kim, especialista em M&A na RGS Partners

US$ 68,7 bilhões. Este foi o valor pago pela Microsoft, uma das Big Techs norte-americanas, no processo de aquisição da Activision Blizzard, a desenvolvedora de jogos que é dona de franquias mundialmente renomadas como Call of Duty, Diablo e World of Warcraft. O movimento chama atenção não apenas pelo tamanho expressivo do cheque (a maior aquisição da Microsoft em toda sua história), mas também por ter no cerne da discussão uma indústria que ano após ano tem se tornado mais relevante e visada: a indústria dos Games.

Os números comprovam essa relevância crescente. O montante de investimentos no setor, desde captações early stage até IPOs, apenas nos primeiros nove meses de 2021 foi de US$34.4 bilhões – contra US$13,2 bi em 2020 completo, o que representa um aumento de 160%. Já o montante transacionado em operações de M&A no mesmo período foi de US$34,9 bilhões, o que significa um incremento de 200%.

Um dos principais movimentos que justifica o aquecimento recente deste mercado é a consolidação dos estúdios de desenvolvimento de jogos. O primeiro movimento significativo da Microsoft nesta estratégia foi a aquisição da Mojang, produtora do fenômeno Minecraft, por US$ 2,5 bilhões, em 2014. O negócio possibilitou à empresa fundada por Bill Gates a distribuição do game nos consoles Xbox e o licenciamento da marca para diversos produtos que surgiram devido à popularidade alcançada.

Ocorrida em 2021, a aquisição da ZeniMax Media por US$7,5 bilhões, por sua vez, também acrescentou ao portfólio da Microsoft importantes títulos como The Elder Scrolls, Fallout e DOOM. O mesmo movimento de consolidação pode ser visto em concorrentes de peso, como a Sony. No final de janeiro deste ano, a dona do PlayStation anunciou a aquisição da Bungie, criadora de franquias renomadas como Halo e Destiny, por US$ 3.6 bilhões.

Ademais, outro importante driver deste aquecimento recente é a correlação da indústria de games com outros setores, como o mobile, outros formatos de mídias audiovisuais e diversos outros nichos tecnológicos, como realidade aumentada e NFTs. A companhia de games Take-Two Interactive, proprietária de estúdios como a Rockstar Games e que tem no portfólio franquias como Grand Theft Auto (o famoso GTA), recentemente anunciou a intenção de adquirir a Zyngaque, que tem o FarmVille entre seus games mais consagrados, por US$ 12,7 bilhões. A ideia é expandir sua participação no mobile-gaming, um mercado que cresceu em ritmo forte durante a pandemia.

A aquisição da Blizzard pela Microsoft também pode ser analisada sob a mesma ótica, uma vez que a negociação também envolvia a King, produtora do renomado Candy Crush, uma verdadeira febre no mobile.

O notório case Uncharted também pode ser visto como exemplo da extrapolação dos games para outras indústrias. Desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony para as plataformas PlayStation, o jogo lançado em 2007 – e aclamado pela crítica – ganhou três sequências para sua história principal, além de uma série de spin-offs, até chegar aos cinemas em 2022 com uma adaptação estrelada por ninguém menos que Tom Holland – o jovem ator britânico que está nos holofotes pelo seu papel de Homem Aranha nos filmes da Marvel.

Além disso, com o avanço do conceito e de iniciativas voltadas ao metaverso e realidade aumentada, as possibilidades de cross-over se tornam quase infinitas. A Microsoft, por exemplo, pode utilizar o Hololens (seus óculos imersivos) para impulsionar cada vez mais seu posicionamento no setor de games e de realidades virtuais alternativas.

As avenidas de crescimento são de fato enormes, e cada um dos principais players do mercado tem desenhado de forma minuciosa sua estratégia de expansão. É certo que ainda veremos uma série de investimentos e processos de M&A relevantes na indústria de games (especialmente considerando que ainda existem estúdios de desenvolvimento independentes e com grande expressividade, como Eletronic Arts e Ubisoft, para citar alguns). Apesar dos holofotes recentes, é incontestável que o jogo estratégico no mundo dos games está apenas começando e que ainda veremos uma série de movimentações de peso no setor.

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