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Don’t cry for me

Não tenho pretensão de entender, muito menos explicar, a complexa política do nosso país vizinho. Mas não custa manter um olhar para lá

A última vez que eu viajei para Buenos Aires foi em 2017 para visitar alguns gestores quando ainda estava na GPS (hoje JBFO).

Lembro bem da data, 29/11/2017, porque ela coincidiu com a final da Libertadores daquele ano, quando o Grêmio derrotou o Lanús por 2 a 1 e ficou com o título. Eu e o Ghidetti conseguimos ingressos na última hora e assistimos a vitória do tricolor gaúcho em pleno estádio. Uma boa aventura inesperada para uma viagem de trabalho.

Voltei para Buenos Aires no último final de semana para um casamento de um primo da Silvia, minha esposa. Apesar de ter sido um bate-volta corrido (e caro, já falei do preço das passagens aéreas no último DB), conseguimos passear um pouco além de rever a família portenha.

Confesso que fui para lá com baixas expectativas.

Esperava ver uma cidade deteriorada pela decadente situação econômica argentina. Na época da última visita, Macri estava no meio do seu mandato e estava claro que já perdia o apoio no Congresso. Ele foi substituído em 2019 por Alberto Fernandez, em uma coalizão que representa uma conjunção de diversas correntes internas do movimento peronista que, mal ou bem, domina a política argentina nos últimos 70 anos.

Não tenho pretensão de entender, muito menos explicar, a complexa política do nosso país vizinho. Mas não custa manter um olhar para lá, pensando para onde podemos ir, dependendo das nossas escolhas políticas.

Os gráficos abaixo mostram uma pouco do que aconteceu por lá nos últimos anos.

O primeiro é a Bolsa. Os valores estão transformados em dólares. Enquanto o nosso Ibovespa se segurou e vem se recuperando do baque da pandemia, o Merval argentino literalmente sumiu no gráfico.

Fonte: Bloomberg e Vitreo Gestão

A situação com a taxa de juros é ainda mais esquisita. No final do governo Macri, os juros chegaram a quase 90% ao ano e agora estão apenas em 44,5% por lá. Por aqui, sei que você tem acompanhado a situação. Depois de um período com juros em 2% ao ano, o nosso BC os vem subindo para combater a alta da inflação. Hoje estamos com 11,75% e flertando com mais uma alta que nos levaria a 12,75% ao ano.

Fonte: Bloomberg e Vitreo Gestão

Mas o principal gráfico, que mostra como nossos hermanos estão em uma situação crítica, é o câmbio.

Enquanto por aqui sofremos com a desvalorização do real durante a pandemia – neste ano estamos vendo uma forte recuperação do valor da nossa moeda (o Real sobe +14% desde o início do ano frente ao dólar americano) – no nosso vizinho, a situação é bem mais complicada.

O câmbio explodiu nos últimos anos, demonstrando a total perda de confiança na moeda e no país. Os argentinos continuam podendo ter contas em dólares abertas no país (algo que por aqui ainda não podemos ter). Porém, não podem mais comprar dólares. Oficialmente não podem. E essa medida reacendeu o mercado paralelo. Se você tem a mesma idade que eu ou é mais velho, sabe do que eu estou falando porque já vivemos isso aqui no passado…

Olhe o gráfico. O câmbio oficial está em 110! Enquanto o paralelo está em 200!

Fonte: Bloomberg e Vitreo Gestão

Vou te explicar o que isso quer dizer, dividindo com você a experiência pela qual eu passei. Fomos jantar na sexta {à noite, direto do aeroporto no restaurante Mishiguene – recomendo inclusive). A conta saiu ARS 12.300. Se eu tivesse pago no cartão de crédito, a conta sairia perto de US$ 112 ou R$ 560 (sem contar o IOF pelo gasto no exterior). Como o pagamento foi feito em dinheiro, trocado pelo valor do câmbio paralelo, a conta saiu por US$ 61,50 ou R$ 307,50. Fica aqui a dica de viagem: esse mesmo raciocínio vale para tudo que você consumir lá: restaurante, hotel, lojas, Uber.

Mas, com tudo isso, qual não foi a minha surpresa em encontrar uma Buenos Aires viva, limpa e com vários sinais de recuperação urbana e cultural. De certa forma a cidade conseguiu se distanciar do caos que assola o país.

Possivelmente parte do milagre esteja por trás dos vários outdoors e cartazes “La transformacion No Para”, o slogan da prefeitura de Buenos Aires, sob comando de Horácio Larreta, do partido Proposta Republicana que governa a cidade desde o final de 2007, quando Macri foi eleito (Larreta o substituiu em 2015 quando ele foi para a presidência).

O resultado é que Buenos Aires continua sendo um ótimo destino de turismo. Seja nos restaurantes, com mesas do lado de fora, espalhados por Palermo Soho, ou o tradicional San Telmo com renovadas opções culturais ou o moderno Puerto Madero com seu metro quadrado milionário com ares de Miami.

Foi corrido, mas valeu!

Bom, já que falamos de câmbio, vou trazer de novo o gráfico aqui para te mostrar uma coisa sobre a valorização do Real.

Fonte: Bloomberg e Vitreo Gestão

Dei um zoom no gráfico, mostrando os últimos 2 anos de idas e vindas da cotação do Real frente ao Dólar Americano (eixo esquerdo em azul) e a taxa de juros (Selic) no eixo direito em laranja.

Dá para você ver que foram 4 idas e vindas dentro do range 4,80 – 5,80. O movimento atual (estamos em torno de 4,75 agora) parece ser mais acentuado do que nos últimos movimentos. Mais acentuado e sustentado por uma taxa de juros bem mais alta do que nos últimos 24 meses.

Esse contexto explica também o interesse estrangeiro em investir por aqui, que tem ajudado a alta do Ibovespa, que sobe perto de 15% desde o inicio do ano.

Fonte: Bloomberg e Vitreo Gestão

Termino por aqui com duas recomendações:

Se for para a Argentina, pague em dinheiro (mas tome cuidado com onde vai trocar seus dólares)
Tá na hora de investir em Brasil! Pensando nisso, o Kiki deu uma ideia que topamos na hora, um fundo para investir em Brasil. Batizado de Kit Brasil, numa referência à gíria do mercado quando se refere a apostar a favor do país. O fundo aposta que os juros vão cair, que a Bolsa vai subir e que o câmbio vai apreciar.

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