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Brasil é o terceiro país que mais investe em novas termelétricas a gás

Estudo relaciona expansão à nova lei do gás e à privatização da Eletrobrás e destaca contradição com compromissos climáticos

O mundo vive uma considerável expansão das termelétricas a gás, informa um novo relatório do Monitor Global de Energia (Global Energy Monitor, GEM) divulgado nesta terça (22/3). Somados, os projetos em construção e pré-construção em todo o planeta terão 615 GW de capacidade de geração de energia em um total de investimentos de quase US$ 509 bilhões. Vietnã, China e Brasil são os países líderes, respondendo por quase 32% da expansão mundial das térmicas a gás.

Esta expansão mostra o quanto a redução das emissões globais dos gases causadores de efeito estufa está longe de ser alcançada. Para o Brasil, também é um sinal econômico preocupante: a energia elétrica ficará ainda mais cara no futuro quando essas termelétricas estiverem em operação. Mais de 90% do GNL usado nas usinas brasileiras é importado dos EUA.

“A Europa e os Estados Unidos estão expandindo seus mercados e operações de gás, apesar das promessas políticas de redução de emissões”, afirma Julie Joly, Diretora de Programas de Petróleo e Gás do GEM. Segundo o relatório, o crescimento das termelétricas no Brasil é de 350% e está diretamente relacionado a duas mudanças recentes na legislação: a Nova Lei do Gás (Lei 14134/2021) e mecanismo de favorecimento ao setor de gás na política de privatização da Eletrobrás.

O documento lembra que o Brasil se comprometeu internacionalmente a zerar suas emissões até 2050 e assinou um acordo na COP26 para reduzir as emissões de gás metano.

A expansão do gás entra em conflito com o cenário de alto compromisso climático da Agência Internacional de Energia (AIE), o chamado cenário “1,5°C net-zero”. Nele a agência projetou o que precisaria ser feito no setor de energia para manter o aquecimento médio da Terra abaixo dos 1,5°C, evitando as piores consequências da mudança climática. Para isso, segundo a AIE, a geração de gás fóssil deveria atingir seu pico até 2030 e ser 90% menor até 2040, em comparação com os níveis de 2020.

“Ao contrário do carvão, onde a China é o maior culpado, o boom na construção de plantas de gás está em toda parte, e os países asiáticos que se afastaram do carvão estão mudando para o gás, se comprometendo com décadas de novos aumentos de emissões de GEE”, afirma Joly.

“Estas usinas de gás são uma séria ameaça às nossas chances de limitar o aquecimento a 1,5 graus, mas o impacto que as termelétricas a gás podem ter sobre a saúde das comunidades do seu entorno é incerto, já que sua poluição é mais difícil de ver do que cinzas ou fumaça das usinas a carvão”, alerta Jenny Martos, pesquisadora do GEM.

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