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Super Quarta e a luta pela paz e contra a inflação

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Estamos chegando ao fim de mais uma semana movimentada.

Tivemos mais uma Super Quarta, dia de decisão do banco central americano e do brasileiro sobre taxa de juros e combate a inflação.

Aqui no Brasil, o Copom divulgou o novo patamar da taxa de juros: dos 10,75%, partimos para 11,75%, com a expectativa deles de mais 1% na próxima reunião.

Muitos investidores já esperavam esse aumento de 100 pontos-base, principalmente por conta da pressão na inflação vinda com a oscilação do preço do petróleo: o preço do barril que chegou perto dos US$140 dólares, retornou para os US$100.

A ata da reunião foi meio inconclusiva. Infelizmente falharam em dar um comunicado mais coeso, deixando diversos economistas com dúvida sobre se foi “hawkish” (mais duro e propenso a aumentar juros) ou “dovish” (mais leniente com a inflação).

Alguns no mercado inclusive não entenderam por que o BC optou por fazer essa alta e já deixar a próxima para 12,75% já engatilhada e não fazer logo uma alta maior (para 12,25%) e deixar em aberto o valor de uma eventual próxima alta. Em outro ponto, o comunicado pediu serenidade no enfrentamento da crise ao prever a inflação na meta já no ano que vem.

Teremos que aguardar os próximos capítulos para ver quem estava com a razão.

Para aproveitar esse momento de juros alto, temos na Vitreo o melhor fundo reserva de emergência do mercado (o mais rentável Selic Simples taxa zero). Além disso, estamos realizando mais uma Semana da Super Renda Fixa por aqui, com ofertas e títulos de Renda Fixa todos os dias para você.

Já nos EUA, o Fed finalmente iniciou o tão esperado e antecipado movimento de alta de juros. O aumento foi de 0,25%, o primeiro desde 2018. A taxa estava em 0 – 0,25% lá desde o início da pandemia (mar/20). Agora foi para a faixa de 0,25% – 0,50%.

O presidente do Fed, Jerome Powell, confirmou que as altas devem prosseguir. Praticamente deixou contratado aumentos em todas as próximas seis reuniões desse ano, devendo terminar o ano perto de 2% (e 2023 perto de 3%).

Esse nível de juros lá parece ser muito baixo para fazer frente à inflação que já beira os 8% ao ano. O FED indicou também que espera que a inflação só retorne para a meta em 2 a 3 anos e confirmou que vai começar diminuir o seu balanço após a reunião em maio. Assim como o aumento do Fed Funds, isso também significa um aperto monetário e menos liquidez no mercado.

Nesta quinta foi a vez do Bank of England, o banco central inglês, que subiu a taxa de juros por lá, de 0,50% para 0,75%.

O fato é que o desafio para os bancos centrais era grande e agora ficou enorme.

Até recentemente estavam tentando controlar uma inflação crescente, que foi gerada ou apimentada pelo desarranjo das linhas de produção e logística mundo a fora com os impactos da pandemia e lockdowns. Especialmente nos preços de energia.

Esse diagnóstico e implicações é global, e aconteceu após de uma década de juros baixos ou negativos e um crescimento mundial (recuperando a queda pós crise de 2008) caracterizado pela busca de ativos reais.

Agora, quando a luta contra a inflação estava começando (verdade que o Brasil já começou o dever de casa ano passado e assim estava adiantado no processo), veio a guerra e os seus efeitos catastróficos nas vidas das pessoas envolvidas e com impactos também globais, principalmente, e de novo, nos preços do petróleo e outras commodities.

Ou seja, um choque inesperado em cima de outro choque inesperado. E as consequências serão sentidas por muito tempo.

Falando em guerra, hoje faz 23 dias que o conflito na Ucrânia começou. Por enquanto, nenhuma decisão foi tomada em meio às inúmeras reuniões de negociações entre os dois países.

Nesta quarta o presidente ucraniano falou ao Congresso americano e chamou o presidente Biden diretamente: “Being the leader of the world means to be the leader of peace” (ser o líder do mundo significa ser o líder da paz).

Parece ter surtido efeito. Pelo menos na forma de mais sanções e na aprovação de mais ajuda financeira e militar à Ucrânia.

Ontem comemorou-se a festa de Purim na religião judaica. Nela relembramos mais uma história de luta pela liberdade, quando um ministro judeu e sua sobrinha, conseguiram convencer o Rei na Babilônia a evitar a perseguição e massacre do povo judeu durante a diáspora lá. Que a festa de hoje ilumine o presidente Zelensky na sua luta.

De volta ao mercado, um forte exemplo sobre volatilidade para o momento, além do petróleo e commodities, é a Bolsa Chinesa. No mês de março, as ações das empresas do país sofreram uma forte realização.

São diversos prováveis motivos que causaram esse resulto negativo, mas o principal motivo, nessa semana pelo menos, foi a multa recorde que o governo chinês aplicou na Tencent, gigante do setor de tecnologia, acusada de quebrar regras de lavagem de dinheiro. Além disso, novos casos de Covid e a relação próxima com a Rússia também contribuem.

O índice Hang Seng China Enterprises, chegou a cair 35% nesse mês até segunda (14).

Assustado com o impacto das suas medidas, o governo chinês passou a demonstrar maior preocupação com os investidores e anunciou diversas medidas que beneficiam o mercado de capitais e o crescimento econômico. O resultado foi imediato.

O índice Hang Seng China Enterprises, subiu 5% na terça (15) e 33% na ontem, quarta (16). Quinta ele caiu perto de 5%. No mês o índice ainda cai 14% … O nosso fundo Tech asia, subiu quase 20% na quarta e cai 7,4% no mês.

Seguimos acompanhando o desenrolar dessas medidas no mercado chinês.

Por fim… nessa semana realizamos diversas lives no nosso canal do Youtube, para te ajudar a entender melhor o momento atual e como ter uma carteira resiliente nesse cenário. Na terça-feira, o Felipe e a Bia, COO da Vitreo e Empiricus, fizeram uma live de plantão de dúvidas.

Quarta, eu, junto com o João e o Enzo, analistas da Empiricus, fizemos uma live sobre a tese de Cannabis. Os fundos Canabidiol e Cannabis Ativo estão com resultado bastante negativo desde fevereiro do ano passado. Mas as perspectivas futuras para o setor continuam muito positivas. O desafio é saber quanto o lado político nos EUA vai conseguir andar.

Leia o Diário de Bordo na íntegra:  clique aqui. 

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