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O que está acontecendo com a bolsa americana que só cai?

Aquilo que sempre aconteceu, ela sobe, mas também cai... ela também varia

Ouvi essa pergunta algumas vezes em minhas redes sociais nessa semana que passou. Normal. Entendo que alguns investidores estejam apreensivos com as quedas recentes. Semana passada o Guilherme Zanin pontuo alguns riscos que vem permeando o mercado americano e ajudam a explicar essas quedas…fatos que já vem sendo colocado nos preços dos ativos.

Minha resposta para a pergunta acima é simples, sucinta e talvez soe ácida. Ora, o que acontece com a bolsa americana? Aquilo que sempre aconteceu, ela sobe, mas também cai… ela também varia. Não quero parecer mal-humorado, mas entendo que a resposta seja essa mesma. Veja, por exemplo, no gráfico semanal de 10 anos do S&P 500, como já vimos momentos de queda semelhantes como o atual.

Mas é sempre bom escutarmos ícones, pessoas com um histórico irrepreensível de geração de valor no mercado americano. Então, com vocês, Mr. Peter Lynch:

TENSÃO PARA ALGUNS, OPORTUNIDADE PARA OUTROS

Na mesma linha de raciocínio Stanley Druckenmiller diz o seguinte:

“Não faz sentido, mas quando um ativo sobe, cada osso do seu corpo quer comprar mais. E quando ele cai, você está lutando para se obrigar a não o entender. É apenas a natureza da besta”

Temos vivido momentos de tensão ou de medo no mercado americano. Veja que o Fear and Greed Index aponta para um sentimento de medo no mercado. Para aqueles que acompanham esse índice, ou para os que já estudaram as lições de grandes nomes dos investimentos, vão entender que talvez essa seja uma hora de “olhar com carinho” o investimento em ações. Naquela linha do que Buffet sempre comenta de ser corajoso quando os outros tem medo.

EFEITO DUPLO

A fotografia abaixo é da performance de 30 dias ações do S&P 500, até o dia 28/01/2022. Vemos diversos papeis acumulando quedas de 10%, 15%, até mais de 30%.

O gráfico abaixo é da variação do Dólar frente ao Real. Do início do ano para cá, vimos a moeda americana perder pouco mais de 5% do seu valor frente ao Real.

Então o que vemos hoje é um efeito duplo que tornou o investimento no exterior mais barato comparativamente a 30 dias atrás. Ou seja, você consegue converter seus Reais em um valor maior em dólares e ao mesmo tempo encontra preços de diversos ativos, 10%, 15% ou até 30% mais baratos que um mês atrás. O efeito composto disso não pode ser ignorado pelo investidor, mesmo sabendo que não há como prever quando ou se haverá alguma alteração nesse cenário.

BRASIL É A BOLA DA VEZ?

Outro argumento e análise muito presente nos últimos dias foi a percepção e celebração de que o mercado brasileiro seria “a bola da vez”, a alternativa mais interessante entre os mercados globais.

Ficamos muito felizes em ler esse tipo de análise por dois motivos: (i) somos brasileiros e torcemos para que o nosso país deslanche, cresça, se desenvolva e você tenha mais recursos para investir no exterior; (ii) porque sabemos que a grande maioria dos nossos clientes possui poupança no Brasil. Então que bom que temos visto recuperação dos preços de ativos domésticos – algumas vezes já tinha escrito aqui que os via como muito depreciados (Brasil o “Diferentão”?).

CABE AQUI UMA RESSALVA: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Essa frase simples, óbvia e caricata, guarda uma sabedoria interessante para o atual momento. Os investidores estrangeiros têm uma característica de investigar diferentes mercados em busca de retornos. Em dados momentos, taticamente, pontualmente, eventualmente, ou a depender do cenário, uma exposição ao mercado brasileiro pode fazer sentido. Isso é uma coisa.

Agora uma outra coisa, uma outra conversa, se refere a alocação estrutural a qual independe de alocações oportunísticas de curto prazo que buscam surfar a correção de assimetrias. Ou seja, independente do cenário você deveria ter reserva em dólar. Os motivos você provavelmente já conhece, mas vou relembrar rapidamente:

  • parte relevante dos seus custos e da tua cesta de consumo são dolarizados, você tem passivos em dólar, portanto precisa equacionar isso com ativos em dólar.
  • Da mesma forma que os Bancos Centrais e as maiores nações do mundo fazem poupança em dólar, você também deveria buscar ter parte em moeda forte.
  • No Brasil em dados momentos corremos riscos extremos de perda permanente de capital. Me refiro aos momentos em que muitos temem cenários de cauda como ocorreram na Venezuela e Argentina. Mas mesmo uma elevação de impostos pode ser um risco.
  • Um número muito maior de ativos disponíveis para você montar sua carteira.
  • Acesso ao investimento em empresas de economia mais dinâmica…discorro mais a seguir.

Avançando no assunto, veja por exemplo o gráfico abaixo que ajuda a entender por que uma exposição tática fez sentido. Ibov e commodities possuem uma forte correlação. A queda das ações brasileiras (linha verde) com a concomitante alta das commodities (linha vermelha) abriu um espaço para correção de uma assimetria de curto prazo.

Isso porque a bolsa brasileira é composta primordialmente por empresas daquilo que chamamos de uma velha economia: empresas de commodities, financeiras ou ainda de energia. Veja a imagem abaixo que compara a composição do Ibovespa e do S&P 500 em diferentes períodos no tempo. A conclusão aqui é: a bolsa brasileira, que nada mais é do que um reflexo da economia brasileira, pouco avançou. Ao passo que vimos uma mudança bem significativa na estrutura do índice americano, as mesmas empresas seguem figurando como as mais relevantes para o índice brasileiro:

grafico 6
Fonte Bloomberg. Elaboração Avenue.

Resumindo. Quando falamos em investimentos nos EUA devemos pensar de forma estrutural e não tática oportunística. Devemos pensar como uma formação de reserva de longo prazo em moeda e economia forte.

PARA ACABAR, RESULTADOS…

Temos tido a safra de balanços das empresas americanas. Até aqui, apesar das quedas na bolsa, os números das empresas têm se mostrado maiores que o esperado:

  • No S&P, 160 de 500 empresas reportaram resultados, 78% delas acima do esperado, com surpresa agregada de 5%.
  • Na Nasdaq, 384 de 3142 empresas reportaram, 65% delas acima do esperado, com surpresa de 9%.

Temos feito diversos comentários diariamente em nosso canal de Telegram – confira.

Era isso,

Aquele abs.

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