Marcelo Vitali: Manifesto da internacionalização

Em setembro, em Cannes, gestores de fundos imobiliários que controlam trilhões em ativos estarão reunidos para discutir o mundo no pós-pandemia. O Brasil não pode ficar de fora

Um fantasma ronda o Brasil: o fantasma da internacionalização do capital. A pandemia sanitária global redefiniu as teses de investimento e uniu a todos numa caçada implacável por melhores taxas de retorno em nível mundial.

Nós, brasileiros, como de costume, ainda estamos presos à crença primitiva segundo a qual nosso mercado interno é tão grande que podemos nos permitir participar das diversas modalidades olímpicas de alocação de capital apenas como espectadores.

Mark Wiedman, Head of International and Corporate Strategy da BlackRock, em intervenção na Expert, nos relembrou de que somente 2% do portfólio de investimentos de gestores brasileiros está alocado no exterior. Em outros países latinos, a marca é de 10%, em contraste a uma exposição internacional na casa de 25% nos Estados Unidos e 42% no Japão. Há um enorme caminho a percorrer.

“Brazil is not a Country, it is a Civilization”. Foi assim que Mark procurou justificar a falta de apetite histórico do gestor brasileiro por oportunidades fora dos marcos civilizatórios estabelecidos dentro das fronteiras tupiniquins. Assinalou, ainda, que diversificar mercados é uma das estratégias que utiliza para minimizar riscos e garantir participação em ativos com rentabilidade melhor que a média do portfólio. Em um cenário de taxas de juros reais negativas no Brasil, internacionalizar parece fazer sentido.

Os avanços regulatórios no país e a criação, nos últimos meses, de instrumentos que facilitam o fluxo de investimento podem contribuir para o aumento da exposição internacional da economia brasileira. O que será definitivo, no entanto, é a presença de executivos brasileiros em fóruns de discussão internacional sobre investimentos. Um dos mais tradicionais eventos do setor imobiliário global – o MIPIM – está prestes a reabrir as portas, na Riviera francesa.

Em setembro, em Cannes, gestores de fundos imobiliários que controlam mais de 2.6 trilhões de euros em ativos estarão reunidos para discutir o mundo no pós-pandemia. O Brasil não pode ficar de fora. Que o mundo trema diante da revolução que está em curso por aqui. Os gestores nada têm a perder. Tem o mundo a ganhar. Fundos imobiliários, uni-vos! O mundo é nosso; nos vemos em Cannes.

Para saber mais: mipim.com

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