Se contratar uma agência de relações públicas exige critério, saber o que evitar pode ser ainda mais decisivo. Em um mercado cada vez mais pressionado por métricas de curto prazo, algumas práticas se tornaram comuns — ainda que pouco eficazes para a construção de reputação.
O problema, segundo especialistas, é que essas abordagens podem gerar visibilidade momentânea, mas não sustentam percepção de valor no longo prazo.
“A comunicação estratégica não pode ser confundida com volume. Quando o foco está apenas em aparecer, a qualidade da mensagem se perde”, afirma Suzana Pertinhez, sócia-executiva da Ovo Comunicação.
A seguir, veja algumas práticas que uma boa agência de PR tende a evitar.
1. Distribuição indiscriminada de releases
O envio massivo de conteúdo sem curadoria ainda é comum no mercado, mas tende a ter baixo impacto. Jornalistas valorizam relevância, contexto e apuração — não volume.
A prática de “disparar para todos” pode, inclusive, prejudicar a relação com a imprensa ao longo do tempo.
2. Promessas de resultado imediato
Reputação não se constrói em ciclos curtos. Ainda assim, algumas estruturas operam com promessas de exposição rápida, o que pode gerar frustração ou desalinhamento de expectativas.
“Uma boa estratégia de PR é construída com consistência. Não se trata de garantir manchetes, mas de construir presença relevante ao longo do tempo”, diz Pertinhez.
3. Confundir publicidade com espaço editorial
Outra distorção comum é tratar conteúdo pago como equivalente à cobertura jornalística. Embora o branded content tenha seu papel, ele não substitui a credibilidade de uma reportagem construída de forma independente.
A distinção entre marketing e jornalismo segue sendo um dos pilares da comunicação estratégica.
4. Desconsiderar o preparo de porta-vozes
A exposição na mídia exige preparo. Falas desalinhadas, imprecisas ou pouco consistentes podem comprometer a mensagem — especialmente em temas sensíveis.
Por isso, o media training e a construção de discurso são parte central do trabalho de uma agência de PR.
5. Ignorar o ambiente digital e a inteligência artificial
Hoje, a reputação de uma empresa não está restrita à imprensa. Resultados de busca, conteúdos distribuídos em newsletters e podcasts, e respostas geradas por sistemas de IA passaram a influenciar diretamente a percepção pública.
Ignorar esses ambientes pode gerar lacunas ou inconsistências na forma como a marca é apresentada.
6. Priorizar quantidade em detrimento de estratégia
Por fim, a busca por volume — seja de publicações, seja de menções — pode desviar o foco do que realmente importa: a construção de narrativa.
“Nem toda presença é relevante. O trabalho de PR está em escolher os espaços certos e construir significado neles”, afirma Pertinhez.
Em um cenário em que a informação circula com velocidade e amplitude crescentes, evitar atalhos se torna parte essencial da estratégia. Mais do que aparecer, empresas precisam ser compreendidas — e isso exige método, consistência e critério.







