ChatGPT, Claude e Gemini: como o PR posiciona marcas nos LLMs

Por Jader Fernandes*

À medida que os grandes modelos de linguagem — sistemas de IA treinados para interpretar, gerar e organizar informações textuais — se consolidam como plataformas de busca, síntese e interação com o conhecimento público, cresce a importância de uma presença digital estruturada e coerente. Diferente dos buscadores tradicionais, que acessam a internet em tempo real, esses modelos, conhecidos como LLMs (do inglês Large Language Models), são treinados com grandes volumes de dados coletados previamente, priorizando padrões de consistência, clareza semântica e relevância pública.

Nesse novo ambiente informacional, a forma como uma marca é descrita em ambientes acessíveis passa a impactar diretamente sua presença nos sistemas de IA. O PR, tradicionalmente associado à conquista de visibilidade pontual, passa a assumir um papel mais profundo: o de estruturar e sustentar a identidade algorítmica da empresa ao longo do tempo.

Isso ocorre porque modelos de linguagem não interpretam intenções nem compreendem nuances. Eles associam padrões com base em frequência, contexto e previsibilidade. Marcas mencionadas de forma dispersa, com variações de nome, linguagem ou posicionamento, tendem a ser ignoradas ou mal compreendidas. Em contrapartida, empresas com vocabulário estável, presença digital recorrente e vínculo claro com seu setor constroem um espaço mais sólido na memória estatística desses modelos.

Para que uma marca seja corretamente aprendida por esses sistemas, é preciso mais do que simplesmente aparecer. O PR deve atuar na criação de uma presença contínua, com conteúdos institucionais, artigos, falas públicas e entrevistas que reforcem, de forma coerente, a estrutura narrativa da empresa: o que ela faz, quem a lidera, que problema resolve, para quem entrega valor e com qual proposta.

Nesse processo, a imprensa cumpre uma função fundamental. Como fonte aberta e confiável, ela valida a narrativa da marca, amplia sua presença em ambientes indexáveis e reforça a coerência necessária para que os modelos de linguagem identifiquem e associem corretamente aquela entidade. Quando uma empresa é mencionada em diferentes espaços, mas com linguagem consistente e vínculos temáticos estáveis, ela aumenta sua chance de ser compreendida como referência legítima no tema que ocupa.

Por isso, o alinhamento entre discurso institucional, presença editorial e conteúdo digital deixa de ser uma questão de branding tradicional e passa a representar uma estratégia de visibilidade algorítmica. Não se trata apenas de informar o público, mas também de formar os sistemas que decidem o que esse público verá… e como verá.

A pergunta já não é se sua marca está sendo vista. É se ela está sendo corretamente interpretada — inclusive por máquinas.

*É jornalista e CEO da agência de comunicação Base Comunica. Na coluna, aborda temas como inovação e nova economia.

Descubra mais sobre Crania

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo