Anunciada nesta segunda-feira pelo novo presidente dos EUA, Donald Trump, a saída do país do Acordo de Paris cria um cenário complexo para o Brasil, que vai sediar a COP30 este ano, avalia Werner Grau, sócio da área ambiental de Pinheiro Neto Advogados. “A decisão de Trump pode afetar o financiamento de ações de combate às mudanças climáticas, gerar um ‘efeito cascata’, com a saída de outros países do Acordo, além de ter potencial impacto nas relações bilaterais do Brasil com EUA”, resume Grau.
Apenas quatro países não eram signatários do acordo, destaca Grau: Irã, Líbia, Iêmen e Eritreia. “A decisão de Trump em si não é surpresa, devido à sua postura e aos embates internos sobre a questão ESG nos EUA. O inusitado é a quem o país se alinha ao sair do Acordo. Há um desalinhamento de posturas.”
O sócio da área ambiental de Pinheiro Neto lista três possíveis efeitos da saída dos EUA do acordo de Paris:
1- Durante a COP29, realizada no ano passado em Baku (Azerbaijão), foi fixada uma meta anual financeira em financiamento climático para nações mais pobres, a ser atingida até 2035, em paralelo a uma ambição para elevar esse montante a US$ 1,3 trlhão no mesmo horizonte. “Os EUA são um player importantíssimo na questão de recursos financeiros. Com o país fora do acordo, esta meta pode ficar em xeque”, diz Grau.
2- Após a decisão do presidente dos EUA, pode haver um “efeito manada”, com a saída de mais países que já estavam questionando os termos do acordo ou insatisfeitos, mas, com a adesão de todas as maiores economias desenvolvidas, permaneciam nele, afirma o especialista.
3- Por fim, como os EUA tem papel condutor forte na geopolítica global, o país que assumir protagonismo na discussão de questões climáticas – papel que se espera do Brasil – pode ter suas relações negociais com a economia americana impactada, destaca Grau. “Por sermos o único país cuja maior fonte de emissão de gases de efeito estufa não é a queima de fósseis, mas sim o desmatamento, essa circunstância pode nos levar a uma condição de protagonismo, que pode gerar um desgaste de relacionamento com os EUA.”





