A gestora Trígono Capital divulgou a quarta edição de seu Relatório de Sustentabilidade, que avalia governança, impactos sociais e ambientais das principais empresas investidas. A edição deste ano, baseada em dados coletados em 2023 e nas iniciativas atuais, revelou uma redução significativa nas emissões de carbono das companhias nos fundos da gestora, considerando os recursos sob gestão ou tCO₂/R$ milhões. Além disso, ampliou seu escopo ao abordar de forma integrada questões como gestão de energia, água e resíduos, bem como ações sociais dessas empresas, proporcionando uma análise mais abrangente do impacto ESG. O relatório também inclui informações sobre governança, como presença de mulheres em cargos de liderança, conselhos e comitês, remuneração de executivos, independência efetiva dos conselheiros e representatividade dos investidores minoritários.
O documento foi elaborado em parceria com a consultoria independente ATA Sustentabilidade, que reuniu informações de 12 empresas por meio de questionários enviados às companhias e relatórios públicos disponibilizados por elas, como Relatórios de Sustentabilidade e outros informes corporativos. Juntas, essas empresas representavam cerca de 90% da carteira da Trígono no final de 2023, servindo como uma proxy da responsabilidade indireta dos fundos sob gestão, com base na participação no capital das empresas investidas.
As empresas analisadas foram Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Ferbasa, Irani, Jalles Machado, Kepler Weber, Mahle Metal Leve, Riosulense, São Martinho, Schulz, Suzano e Tupy. A metodologia utilizada avaliou a qualidade dos dados disponíveis, classificados em uma escala de 1 a 5 (sendo 1 o grau de certeza mais alto). Houve melhora na pontuação, que atingiu 1,23 neste ano, em comparação a 1,31 no relatório anterior, de 2023.
Werner Roger, sócio e diretor de investimentos da Trígono, destacou a importância da iniciativa como exemplo para outras gestoras e investidores institucionais. “Com o relatório, pretendemos, entre outros objetivos, tirar da zona de conforto as pessoas que tomam decisões, questionar conselheiros, executivos e acionistas controladores, e, assim, impulsionar e acelerar as transformações. Essas iniciativas fortalecem o compromisso das empresas e inspiram mais agentes do mercado financeiro a se preocuparem com as questões ESG. Avaliar práticas de ESG, como o acompanhamento e a redução de emissões de gases de efeito estufa, é parte integrante da gestão de riscos e do processo de investimentos da Trígono, além de ser essencial para determinar o valor justo das empresas investidas. Incorporamos também, neste ano, uma análise mais profunda das questões sociais e de governança, reafirmando nosso compromisso com a sustentabilidade”, afirma Werner.
A emissão relativa de carbono das empresas investidas foi reduzida em 34% em relação ao ano anterior. Considerando as emissões não renováveis das empresas, a intensidade de carbono da Trígono Capital em 2023 foi de 43,98 tCO₂e por cada milhão sob gestão, contra 66,91 tCO₂e em 2022.
Entre as empresas analisadas, o destaque foi a Tupy, com 77.210 tCO₂, seguida pela Ferbasa (28.453 tCO₂) e São Martinho (14.249 tCO₂). No total, as emissões relacionadas à gestora somaram 146.355 tCO₂, sendo 81,9% desse total gerado por essas três companhias. Apesar de representar um impacto considerável, as emissões fazem parte dos processos produtivos e são devidamente explicadas no relatório.
A Trígono calcula sua pegada indireta de carbono atribuindo uma parcela das emissões de gases de efeito estufa (GEE) proporcional à participação no capital das empresas investidas. Essa mensuração é incorporada à estrutura de gestão de riscos ambientais, reforçando o compromisso da gestora com a transparência e a sustentabilidade.
O relatório também enfatiza que bons princípios de governança devem ser aplicados internamente pelas empresas, em vez de depender exclusivamente de exigências externas. Critica ainda o uso isolado de métricas, argumentando que dados quantitativos são mais úteis quando contextualizados e acompanhados de análises qualitativas, uma abordagem essencial para decisões alinhadas aos valores de ESG.
Compromisso ESG
O relatório destaca o compromisso da Trígono com as práticas ESG. Desde 2022, a gestora adere aos Princípios para o Investimento Responsável (PRI, na sigla em inglês), uma iniciativa da ONU composta por seis pilares relacionados ao tema. A gestora ampliou o número de indicações a conselhos de administração e fiscal independentes, que passaram de 23 para 27 em 11 empresas entre 2023 e 2024.
No âmbito social, a Trígono apoia projetos como o Hospital do Amor, um dos maiores polos de tratamento oncológico gratuito da América Latina, que realizou 1,74 milhão de atendimentos em 2.581 municípios brasileiros em 2023. Também apoia o projeto Sitawi, que mobiliza recursos para impacto socioambiental positivo, tendo gerado mais de R$ 500 milhões em 3.000 iniciativas que beneficiaram 14 milhões de pessoas e ajudaram a conservar 5 milhões de hectares de florestas.
Outro exemplo é a parceria com a TenYad, uma instituição beneficente israelita que fornece alimentação à população carente na região central de São Paulo, além de oferecer assistência oftalmológica, capacitação profissional e diversas atividades culturais e esportivas.







