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Torq promove debate sobre Web 3.0 em Florianópolis

Paralelamente às discussões de regulação dos criptoativos, já existe um universo de Web 3.0 em ascensão em todo o mundo, incluindo o Brasil. Como garantir a segurança desse mercado? Como aplicar regras sem frear a concorrência e a inovação? Com o objetivo de fomentar esse debate, o Torq, núcleo de inovação aberta da Sinqia, reuniu especialistas do setor em Florianópolis (SC) nesta quinta-feira (17), marcando a 4ª edição do Torq Talks.

Na abertura do evento, Marcelo Duarte, product manager da Sinqia, traçou um panorama geral de como a Web 3.0 tem avançado no país. “Ainda não temos uma regulamentação específica para os criptoativos, mas as principais entidades brasileiras do mercado financeiro já estão preparando o terreno para o futuro”, afirmou. Na visão dele, a tokenização pode trazer benefícios como democratização de investimentos, novos meios de pagamento e ganhos de eficiência.

Em seguida, Alexandre Adoglio, CEO da startup Sonica, que facilita a criação de websites, definiu o conceito de Web 3.0 e outros termos do mercado, como metaverso e DeFi (Finanças Descentralizadas). “A Web 3.0 é baseada em três pilares: custódia, anonimato e descentralização. Na Web 2, que usamos hoje, você precisa fornecer seus dados para usar apps como Instagram. Na terceira onda da internet, você apenas entrega o número da sua carteira digital – e também pode ser sócio da plataforma”, explicou. 

No painel Como a regulação dos criptoativos impacta o mercado, mediado por Danylo Martins, fundador e publisher do Finsiders, profissionais da área jurídica discutiram os caminhos para implementar regras no mundo cripto. “O mercado brasileiro não cresceu ainda o tanto que poderia por falta de regulação. Países com boas normas saem na frente, atraem agentes sérios e, como consequência, cativam investidores”, disse Juliana Facklmann, diretora de assuntos regulatórios do Mercado Bitcoin, ponderando que regulação deve ser adequada para um mercado que é muito inovador e está em processo de amadurecimento.

Nesse sentido, Norival da Silva Junior, sócio e gestor de Direito Digital na Silva, Santana & Teston Advogados, pontuou que existe o desafio de exercer o papel de fiscalização sem inviabilizar a inovação. “Todo mundo está aprendendo a como lidar com esse tipo de mercado, desde os advogados até os próprios reguladores”, afirmou. Erik Oioli, sócio da VBSO Advogados, reforçou o debate trazendo o caso recente de falência da bolsa de criptomoedas FTX: “O caso FTX mostra o quanto é importante disciplinar a atuação de empresas que atuam nesse setor e lidam com o dinheiro das pessoas”. 

O painel “Como a Web 3.0 pode contribuir na expansão de instituições financeiras e de pagamento trazendo ainda mais clientes”, também mediado por Martins, trouxe casos de startups que desenvolvem produtos no universo de Web 3.0. A Liqi Digital Assets, por exemplo, realiza a tokenização de ativos financeiros. Já a Débito Direto tem como objetivo levar contas e faturas do dia a dia para a web 3.0, ampliando o acesso a serviços financeiros.

ESG

A 4ª edição do Torq Talks também discutiu sobre o uso do blockchain para ativos ambientais. Segundo uma pesquisa conduzida pela agência de notícias Reuters, o valor do mercado global de carbono cresceu 164% em 2021, atingindo US$ 851 bilhões. Alex Nascimento, professor de Blockchain na UCLA e sócio fundador da 7CC, explicou que o blockchain é uma ferramenta crucial para garantir transparência no segmento de crédito de carbono.

Para Victor Leitão, cofundador da startup TakeCarbon, que trabalha com um protocolo descentralizado de ESG, tecnologias de Web 3.0 ajudam a reduzir conflitos de interesse e a atender demandas dos consumidores no mercado voluntário de carbono. “Muitas empresas assumiram a missão da neutralidade de carbono. O ambiente on-chain vai ajudá-las a encontrar formas de atender às demandas ambientais de forma mais fácil”, disse. 

Ao final do evento, houve o lançamento do livro “Tecnologia Financeira e os impasses na regulamentação”, de Marilia Raposo Vieira. A autora é advogada e data protection officer da startup Cashway, além de mestra em Ciências Jurídicas pela Universidade do Vale do Itajaí.

O Torq Talks Web 3.0 foi gravado e está disponível neste link.

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