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Evento Torq Talks, da Sinqia, discute o ESG como estratégia de negócio para o mercado financeiro

Foto: Luciana Cássia

Apesar de o conceito ESG (governança ambiental, social e corporativa) ter ganhado espaço nas discussões corporativas, ainda há muitas dúvidas de como sair da teoria e implementar de fato boas práticas. Como começar a adotar medidas sustentáveis? Como tornar o ESG acessível para pequenas empresas? É possível conciliar impacto com resultados financeiros?

Esse foi o tema da última edição do Torq Talks, realizado nesta quarta-feira (14) pelo Torq, núcleo de inovação aberto da Sinqia, empresa que oferece tecnologia para o mercado financeiro. O evento contou com a presença de Juliana Innecco (Head de Investimentos do Torq), Daniel Izzo (CEO da VOX Capital), Adriano Meirinho (CMO da Celcoin), Ana Paula Pinho Candeloro (especialista em governança corporativa e compliance), Emerson Faria (Diretor de Relação com Investidores e ESG da Sinqia) e Maurício Rodrigues (CEO da ESGreen).

A abertura ficou por conta de Emerson Faria, responsável pelo tema ESG na Sinqia, que resgatou o histórico sobre as discussões ambientais nas últimas décadas, explicou as formas de mensurar o valor da sustentabilidade e indicou como a adoção de práticas ESG podem impactar não só uma empresa, mas todo um ecossistema. Na visão dele, o ESG não é apenas filantropia, mas sim uma estratégia de negócio de longo prazo. “As novas gerações estão cada vez mais engajadas com questões sociais e ambientais. E esses serão os consumidores e os funcionários que as empresas terão no futuro”, afirmou.

No painel Finanças sustentáveis, qual o caminho?, a especialista em governança corporativa e compliance Ana Paula Pinho Candeloro ressaltou a importância do monitoramento das práticas ESG. “Não funciona conceder certificações ano a ano. É preciso ter uma visão de jornada, que penalize a empresa se a pontuação diminuir, e a beneficie quando for o caso de recompensa”, disse. “Em vez de banir, temos a função social de incluir educando”.

Já Maurício Rodrigues, CEO da ESGreen, que oferece certificação, monitoramento e qualificação de ESG, pontuou que os modelos devem ser aderentes às companhias. “Não se trata de lançar foguetes. As práticas devem ser aplicáveis ao cotidiano do negócio, sem réguas exageradamente altas. Mais do que empresas 100% sustentáveis, precisamos de empresas trilhando caminhos em ESG”, afirmou.

De acordo com Adriano Meirinho, CMO da Celcoin, a empresa é um exemplo desse processo. Dona de um serviço de inclusão financeira, a startup foi entendendo ao longo do tempo o que era impacto e como poderia evoluir suas práticas. “Hoje, já vemos que as fintechs puxam o mercado para uma conscientização diferente. O mundo das finanças sustentáveis está se destacando cada vez mais”, disse.

Foto: Luciana Cássia

Investimento de impacto

O evento também discutiu o ESG sob a ótica do capital – afinal, as empresas devem atender tanto ao ativismo dos consumidores quanto dos investidores. “Temos investidores cada vez mais exigentes, que se preocupam com a sustentabilidade dos seus investimentos e buscam empresas que atendam às exigências ESG”, completou Canceloro.

No último painel, Como conseguimos obter retorno financeiro com impacto social?, Daniel Izzo, CEO da VOX Capital, primeira e principal gestora de investimentos de impacto do Brasil, declarou que há um movimento global crescente de produtos financeiros voltados a impacto. “Mesmo quem faz greenwashing ou finge que adota práticas ESG sente a pressão de ter que se adequar. Esse executivo ou vai desistir ou vai fazer de verdade”, disse.

Ele explicou ainda a diferença entre ESG (como se faz as coisas) e impacto (o que é feito) – o ideal, segundo ele, é unir os dois conceitos. “O dinheiro deve estar preocupado com o que está construindo ou destruindo. Não podemos isolar o mercado financeiro da realidade, precisamos saber o que o nosso dinheiro está financiando”, afirmou.

O evento foi gravado e está disponível neste link.

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