O meu orgulho besta por achar que acabara de cunhar uma bela expressão motivacional não durou muito, morrendo logo após uma breve consulta ao Google. A sacada genial de “Fé, café e cafuné” não era nada inédita. Muito pelo contrário: ela está gravada em diversos produtos à venda na internet, como quadros de decoração, canecas e camisetas. Apesar disso, continuei recitando por conta própria a trinca de palavras, para expressar a convicção pessoal sobre a relevância dos conceitos que cada uma delas sugere.
Após dar meu bom dia, digo à copeira da firma um dos meus bordões, o de que “só preciso de três coisas para viver: fé, café e cafuné”. Ao que ela me responde também de forma bem-humorada: “tenho as duas primeiras para lhe dar, a terceira vai pedir à sua esposa”. De fato, na vida corporativa não temos uma fonte para esse tripé existencial. Por óbvio, ele é armado no lar, no nosso cantinho íntimo, onde estão as coisas, as pessoas e as ideias que mais amamos. Ambiente doméstico é lugar das nossas verdades.
A crença num propósito superior, resumida numa única sílaba tem aquela tal força que move montanhas. Não dá para a gente abrir a mão dela, senão corremos o risco de sermos comandados pelo desespero na hora de grande provação. Quanto à bebida quente preferida dos brasileiros (exceto Ariano Suassuna) e que disputa o título mundial nessa categoria com o chá, ela tem também seu papel encorajador. Estimulante cardíaco e cerebral, seus goles embalam tarefas sérias e prazerosas e ainda suscitam aconchego.
Por fim, o que dizer do querido cafuné? Para completar o trio de símbolos fortes para estados emocionais, a palavra de origem africana representa o momento da paz mais absoluta e do zelo mais carinhoso. Quando dedos de pais, filhos e amantes acariciam cabelos dos amores, os envolvidos sabem que o tempo deve servir ao bem-querer, ao encanto e à esperança. Com fé e café, cafuné forma rima gostosa de ler, de ouvir e de sentir. Não por acaso, a tal expressão é às vezes antecedida por um orgulhoso “aqui tem”.
