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Educadores financeiros são mais que colaboradores pontuais, diz Lai Santiago

Profissão enfrenta obstáculos para reconhecimento e regulamentação

No próximo sábado (06) é comemorado o Dia Nacional dos Profissionais da Educação. A lei 13.054 de 2014 estabelece a data com o intuito de trazer maior valorização tanto aos professores quanto aos demais profissionais que atuam no âmbito escolar.

A educação de base é essencial na formação de estudantes e cidadãos. Entretanto, existem lacunas a serem preenchidas no que diz respeito ao sistema de ensino, e um exemplo relevante é o da educação financeira.

Segundo Lai Santiago, educadora financeira e cientista comportamental da Open Co, a inserção dos profissionais dessa área nas escolas ainda é muito incipiente. “Se fossemos comparar com o sistema de saúde, hoje o educador financeiro atua principalmente na média e na alta complexidade do que na atenção básica, que resolve a maior parte dos problemas”, ilustra.

Lai conta que a maioria dos planejadores atendem pessoas e famílias com problemas financeiros. De acordo com a última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio e Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de famílias brasileiras endividadas atingiu 77,7% em abril de 2022.

Importância da educação financeira

Os números reforçam a emergência de ampliar o acesso da população brasileira ao ensino de finanças. Os benefícios trazidos pelo incentivo à educação financeira na base são documentados no estudo do Banco Mundial, realizado em 2013 e mencionado pela educadora.

O artigo – que contou 868 escolas e aproximadamente 20 mil alunos do ensino médio, em seis estados do Brasil – mostra que a educação financeira nas escolas aumentou em 1% o nível de poupança dos jovens. Além disso, 21% dos alunos começaram a listar os seus gastos todos os meses e 4% passaram a negociar preço e forma de pagamento na hora da compra.

O relatório conclui, ainda, que esse resultado indica que jovens educados financeiramente podem contribuir para o crescimento de 1% do PIB do Brasil.

Diante dos dados, Lai afirma que “isso precisa fazer parte não só da estratégia de educação, mas de uma política econômica estruturada e disseminada profissionalmente”.

Ela ressalta a importância do intercâmbio entre professores de matérias tradicionais com os de finanças, para que haja o desenvolvimento da área e encaminhe a regularização da profissão – que ainda não existe.

“É necessário para que se pare de enxergar educadores financeiros como colaboradores pontuais ou fomentadores de iniciativas paralelas a grade curricular”, arremata Lai.