Especialistas analisam aumento da taxa de juros nos EUA

Segundo especialistas da SVN Investimentos, Alphatree Capital e Avenue, movimento do Fed era esperado pelo mercado

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira (27) a elevação da taxa de juros dos Fed Funds em 0,75 ponto percentual, para a faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano.

A decisão, tomada de forma unânime pelos diretores do Fed, não surpreendeu o mercado, que apostava na continuidade do ciclo de taxas acima do patamar neutro. O país viu o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançar 9,1% nos 12 meses até junho deste ano – a maior alta desde novembro de 1981.

Comunicado de Jerome Powell

Para os especialistas, o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, é mais revelador que o movimento do banco em si. Ele se mostrou determinado em trazer a inflação para 2%, um indicativo de que vai seguir na política monetária contracionista, aponta Pedro Tiezzi, analista da SVN Investimentos.

“O arrefecimento da demanda por casas pesa de forma positiva no fim do ciclo inflacionário. Por outro lado, com o nível de desemprego muito baixo e novas vagas geradas no mercado de trabalho, bem como o CPI acima de 8%, é bem crítica a situação na visão do presidente do Fed”, avalia.

Na visão de Pedro, a medida visa frear o mercado de trabalho. O principal ponto de atuação de Powell é “reduzir a demanda por reduzir a oferta de trabalho, que vai reduzir a renda, gerando um efeito cascata para contrair a inflação”.

Refletindo o cenário de desaceleração que fica cada vez mais evidente, é provável que a política monetária siga restritiva nos EUA. Essa é a leitura inicial de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities.

“O comunicado do Jerome Powell reforça receios com a inflação, de que o Fed está tentando não errar. Considerando a necessidade dos juros, não está descartado um aumento de elevada magnitude na próxima reunião”, indica William.

Raone Costa, economista-chefe da Alphatree Capital, explica que ganhou força por um momento a possibilidade de o Fed aumentar em 100 pontos-base na taxa de juros. Apesar do número ligeiramente menor (0,75%), o economista acredita que não deva ter grandes repercussões.

“A diferença é que o Fed passa a reconhecer que os dados de atividade dos EUA estão mais fracos de uma maneira geral, ainda que com o mercado de trabalho forte e o nível de desemprego baixo”, examina.

Outro ponto importante considerado por Pedro Tiezzi é a redução do balanço. De acordo com o analista, o Fed vai continuar vendendo ativos e começar a reduzir a liquidez do mercado para complementar as altas de juros.

Pedro ressalta que no comunicado não se falou em recessão. “Obviamente, o presidente do Fed não vai falar que buscará uma recessão, mas está comprando a tese de que fará um soft landing, ou seja, reduzir a inflação sem causar uma recessão”, finaliza.

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