Duas das principais moedas do mundo, euro e dólar, atingiram nesta terça-feira, 12 de julho, o mesmo valor. O fato acontece pela primeira vez desde que a moeda única europeia foi criada, em 2002. Durante a manhã, o euro oscilou em torno de US$ 1,007, uma queda de quase 15% em relação ao início do ano.
Dentre as causas dessa baixa está a insegurança do continente em relação ao abastecimento de gás fornecido pela Rússia. Antes da guerra na Ucrânia, a União Europeia recebia 40% de seu gás por gasodutos russos. No atual momento, o fornecimento foi reduzido para alguns países do grupo — a Alemanha, por exemplo, sofreu um corte de 60% do fluxo.
Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, explica que o momento de guerra e a pandemia agravaram a desvalorização da moeda europeia até chegar ao patamar do dólar – que valorizou 14% desde o início do ano, na comparação com o euro. Ele reforça também que a Europa enfrenta instabilidades na sua economia desde o Brexit.
O economista destaca que a paridade das duas moedas não é de todo ruim para o bloco europeu. “Os produtos exportados pela Europa — como açúcar, vinhos, carros — entram com um preço mais competitivo em vários mercados, por conta da paridade cambial”, analisa.
Por outro lado, considerando o cenário macroeconômico, Fabrizio pondera que a tendência é que investidores saiam momentaneamente do continente, para saber até onde vão as consequências. “A Europa vai acabar sofrendo um pouco com a liquidez do mercado e com a redução do investimento interno”, conclui.