Nos últimos anos, o setor financeiro deu um salto para o mundo digital: se até pouco tempo era preciso ir a uma agência bancária para acertar um boleto ou realizar uma transferência, hoje é possível fazer qualquer pagamento por meio de um app, com poucos cliques. Essa migração, porém, ainda pode evoluir em muitos sentidos. Para especialistas, a próxima fronteira tecnológica do segmento é a inteligência artificial (IA), que, entre outras funções, tem o potencial de aprimorar a segurança dos usuários.
O tema foi debatido na última sexta-feira, 27, durante o evento Torq Talks, realizado pelo Torq, núcleo de inovação da Sinqia, empresa que oferece tecnologia para o mercado financeiro. Na visão de Bruno Salles, head de produtos da companhia, há muito espaço para a aplicação da IA no segmento, já que os algoritmos são capazes de trabalhar com grandes volumes de dados, padronizando informações. Dentro disso, ele enxerga que a segurança deve ser a principal frente a ser explorada com a ferramenta. “Avançamos bastante na parte da experiência do cliente. Mas, devido à exposição, a proteção vira prioridade agora”, disse.
Já existem startups atuando nesse sentido, trabalhando nos bastidores dos produtos financeiros – muitas vezes, os clientes nem imaginam os sistemas que estão por trás das aplicações. A Data Rudder, por exemplo, que é investida do Torq Ventures, usa algoritmos de machine learning para prevenir fraudes cadastrais, detectando padrões nos comportamentos dos usuários. Rafaela Helbing, CEO da empresa, acredita que essa tecnologia é capaz de entregar uma visão transparente para as instituições financeiras. “Fraudadores são criativos: eles sempre vão mudar o tipo de fraude. Precisamos o tempo todo treinar os algoritmos para estarmos um passo à frente”, afirmou.
As oportunidades, no entanto, não estão restritas à segurança. Salles, da Sinqia, explicou que a IA consegue segmentar clientes para oferecer as melhores ofertas de acordo com cada perfil de usuário – assim, é possível prestar atendimentos mais personalizados.
Sendo assim, a tendência é que, no futuro, o usuário seja cada vez mais surpreendido com a influência da inteligência artificial em seu dia a dia. “Hoje, já percebemos a Alexa nos ajudando, antecipando nossas demandas. O mercado financeiro precisa chegar nesse nível tecnológico”, disse Roberto Rigotto Gouvêa, CEO da fintech Simply.
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O evento também discutiu os caminhos para a democratização da inteligência artificial. Atualmente, um dos principais desafios para a implementação da tecnologia é a necessidade de desenvolvedores altamente especializados, que são escassos no mercado.
Thiago Azevedo, technical account manager do Google Cloud Brasil, mostrou que existem plataformas que funcionam como um “atalho” para gerir dados e criar projetos de machine learning sem necessidade de profundo conhecimento técnico (plataformas codeless, AutoML). “É extremamente importante reduzir a curva de esforço para que pessoas iniciando no mercado, ou em áreas de negócios sem bagagem profunda em tecnologia, também possam adotar modelos de machine learning em seus desafios. Com isso, começamos a aterrissar a democratização de tecnologias, antes consideradas de difícil adoção”, afirmou.
Todo esse avanço tecnológico, claro, deve seguir diretrizes regulatórias, uma vez que sistemas tendem a reproduzir desequilíbrios e vieses. Patricia Peck Pinheiro, CEO e fundadora da Peck Advogados, reforçou a importância do uso ético de dados, que devem seguir os direitos humanos: “A transparência com protocolos de segurança traz mais confiabilidade, gerando um padrão para a indústria. Isso começa desde a prancheta, no momento do desenvolvimento dos algoritmos”.
A próxima edição do Torq Talks está marcada para agosto e terá como tema “O poder do Open Finance”.
Assista ao Torq Talks sobre Inteligência Artificial: