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O inverno cripto chegou?

Inverno Cripto é uma expressão usada para descrever um período de “esfriamento” do mercado em que os preços dos criptoativos caem continuamente

O frio chegou forte esta semana. No mercado de cripto, também.

Inverno Cripto é uma expressão usada para descrever um período de “esfriamento” do mercado em que os preços dos criptoativos caem continuamente.

A principal criptomoeda do mercado, o Bitcoin, negocia hoje em torno de US$ 30 mil, mesmo nível de preço do início de 2021. Este ano já acumula queda de –38% e cai quase 60% desde sua máxima, em novembro do ano passado (isso em Dólares, em Reais a queda é ainda pior).

O principal motivo por trás dessa queda foi um verdadeiro ataque especulativo contra outra criptomoeda, a TerraUSD (UST), que também faz parte do blockchain Luna. A UST é uma stablecoin (“moeda estável”) que deveria manter sua paridade com o dólar (valor de $1). Mas com a falta de liquidez causada neste “ataque”, ela “perdeu” a paridade e chegou a valer $0,11, afetando diretamente o ativo Terra.

Relendo o parágrafo acima, ele parece confuso até mesmo para mim. Mas talvez um pouco de história ajude a entendê-lo.

Há 30 anos, em 1992, o megainvestidor George Soros, acreditando que a Libra Esterlina estivesse supervalorizada, artificialmente atrelada a uma paridade com outras moedas europeias (o European Monetary System, um precursor do Euro), também fez um ataque especulativo contra essa moeda. No episódio conhecido como a “Quarta-feira Negra”, a Libra se desvalorizou 15%, aproximadamente, acabou não entrando no Euro (mesmo anos depois) e se estima que Soros tenha ganho £ 1 bilhão em um único dia.

Na última quarta-feira “negra” (11/05), uma distorção no mercado, também causada intencionalmente, destruiu quase US$ 60 bilhões. TerraUSD e Terra caíram 97%…

Tudo isso ajudou a trazer mais nuvens para o mercado de criptomoedas. Porém, esse acontecimento foi apenas um estopim para a queda do mercado cripto, que já passava por um momento delicado devido a fatores macroeconômicos globais.

Nesses dois últimos anos o mercado de criptomoedas tem recebido um fluxo grande de investidores institucionais, o que vem aumentando cada vez mais sua correlação com os ativos de risco tradicionais, que são impactados por movimentos macroeconômicos globais — ou seja, quando os ativos tradicionais são impactados por esses fatores, os criptoativos também caminham na mesma direção.

Nessa perspectiva, o mundo inteiro vem enfrentando uma crise inflacionária e, nos Estados Unidos, a situação não é diferente. O banco central americano (FED) aumentou a taxa de juros por lá em 0,5 ponto percentual, a maior alta em 22 anos, para a faixa de 0,75% a 1% ao ano, impactando o mercado mundial. Investidores migraram parte do seu capital investido em ativos de risco para ativos mais seguros e tradicionais como, por exemplo, os títulos do Tesouro americano.

Além disso, a guerra na Ucrânia impacta o mercado global como um todo e o preço dos seus ativos. O Índice Fear & Greed (métrica do medo dos investidores acerca do cenário de inflação) atingiu 13 pontos, indicando medo extremo.

As bolsas norte-americanas também têm sofrido bastante. O S&P 500 caiu 4,04% ontem (quarta-feira 18/05), puxado por resultados ruins das empresas de consumo tradicionais, como Target e Walmart, que já começam a sofrer fortemente por não conseguir repassar a inflação a seus preços. No ano, apresenta queda de mais de 18%, até o momento que escrevo esse texto, e aproximando-se do “bear market” (quedas acima de 20%).

O Nasdaq (que tem maior exposição a empresas de tecnologia) não ficou para trás e caiu mais de 5%, continuando a ver a desvalorização e reprecificação das ações que compõem o índice. No ano, apresenta queda de mais de 25%.

Dito tudo isso, estamos ou não no “Inverno Cripto”?

Diante de todo esse colapso, ainda vejo luz no fim do túnel, muito porque as duas maiores criptomoedas do mercado (Bitcoin e Ether) sofreram bem pouco levando-se em consideração todo o pânico que está acontecendo.

Nessa conjuntura, o Bitcoin atingiu sua mínima, no valor de US$ 26 mil. O que para alguns pode significar incerteza e hora de migrar para ativos tradicionais, na minha visão pode ser uma oportunidade de entrada, levando em consideração o longo prazo. Há menos de dois anos, o Bitcoin atingiu sua marca histórica em 2020, na faixa de US$ 26 mil, ou seja, até agora, o pior preço de 2022 seria considerado o melhor preço, em 2020.

Em momentos de tensão, sempre gosto de entrar no site 99 bitcoins para relembrar quantas vezes mídia tradicional decretou o fim do Bitcoin. Esse site foi criado pela comunidade cripto como sátira às declarações sem fundamentos a respeito do mercado de criptomoedas, e do Bitcoin, especificamente.

E advinha o que eles decretaram recentemente?

Exatamente, mais uma vez o fim do Bitcoin!

É claro que muita coisa aconteceu e mudou de lá para cá, porém você já sabe que nós devemos sempre olhar o longo prazo, principalmente considerando ativos de risco como as criptomoedas. Além disso, o ideal não é apenas olhar o preço do ativo e sim a tese que suporta todo esse ecossistema, que, no caso do Bitcoin, continua sendo o protagonista de uma revolução tecnológica na história.

Outro ponto para destacar é a força com que o Dólar se mostra, ao longo do tempo, principalmente em momentos de crise, volatilidade e incerteza. O DXY, que mede a força do Dólar contra uma cesta de moedas, caiu um pouco nesta semana, mas apresenta valorização de 7,4% no ano e quase 14% nos últimos 12 meses, mesmo com a fragilidade atual da economia norte-americana.

Fonte: Bloomberg

Em crises, o Dólar se fortalece. Mesmo quando a crise é local. Aconteceu em 2008 e acontece agora. Quando o pânico e a volatilidade diminuírem, e a poeira baixar, os fundamentos voltarão e o dólar deve acabar cedendo.

Bom, e quero lembrar a vocês: em todo ciclo há ganhadores e perdedores e a diversificação é a única maneira de sempre estarmos expostos a ganhadores e, melhor do que isso, não estarmos expostos exclusivamente aos que perdem.

Como já disse, as perspectivas não são muito otimistas, principalmente com a situação inflacionária nos EUA. Mas espero que nas próximas semanas possa voltar com notícias mais positivas. No mais, até a próxima!

Obrigado pela confiança e por estar comigo e com a Vitreo em mais um momento de incerteza e medo, no mercado. Darei o meu máximo para trazer a você as melhores oportunidades de investimentos.

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