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De Lyon aos Alpes Franceses

Difícil espairecer e manter a cabeça longe do mercado. Especialmente neste momento de mudança global das políticas monetárias para frear a alta da inflação

Eu estou de volta. E feliz.

Nada como tirar férias e viajar com a família, mas confesso que também sinto falta da rotina do dia a dia, da minha casa, enfim…

Foram apenas 10 dias, mas o suficiente para que eu pudesse descansar e conhecer novos lugares.

A primeira parada foi em Lyon, sudeste da França, uma cidade cheia de segredos e com uma gastronomia de dar água na boca (literalmente).

Acredito que Lyon não seja incluída nos planos da maioria das pessoas que visitam a França, apesar de muitíssimo bonita e cheia de atrativos.

Nos poucos dias que passei lá, estive encantado com o lugar e com sua história. A cidade é rica quando falamos de sua arquitetura, que mostra os indícios do Império Romano; afinal, foi um dos locais mais importantes da época, historicamente.

Seu primeiro nome conhecido foi Lugdunum, uma importante cidade do Império Romano. Ainda hoje o anfiteatro romano é utilizado para apresentações de teatro e música!

Se você gosta de cinema, já deve ter ouvido falar dos irmãos Lumière, tidos como os inventores do cinematógrafo, em 1895. Ambos nasceram em Lyon e, por isso, a cidade ficou conhecida como a cidade do cinema. O primeiro longa metragem da história foi filmado por lá (“A Saída dos Operários da Fábrica Lumière”).

Fonte: StringFixer.com

E como já falei da gastronomia da cidade, não poderia deixar de citar o prato que escolhi para degustar: a famosa sopa de trufas, ou “Soupe aux truffes”, considerada uma das receitas mais icônicas do estrelado Paul Bocuse.

Ela foi criada em 1975 e servida em um jantar presidencial em Paris. Recebeu o nome de VGE como uma homenagem ao ex-presidente da França, Valéry Giscard d’Estaing.

Paul Bocuse foi um grande chef da gastronomia francesa e ficou conhecido como “o papa da gastronomia mundial”. Aos 8 anos ele já era apaixonado por culinária. Não poderia ser diferente, já que era filho e neto de cozinheiros. A primeira refeição que ele preparou, ainda quando criança, foram rins de vitela!

Após alguns anos cozinhando, ao completar 18 anos, decidiu que entraria nas Forças Francesas Livres e lutou na Segunda Guerra Mundial. Mas, logo depois, aos 20 anos, ele decidiu voltar para a culinária. E que ótima decisão tomou, pois afinal, seus pratos têm um sabor inigualável.

Esses foram os pontos altos dos nossos dias em Lyon. De lá fomos para a segunda parada: uma semana de esqui nos Alpes Franceses.

Não bastasse o prazer em estar ali com minha família, o lugar que escolhemos para esquiar não poderia ser melhor. Dizem que Alpe d’Huez tem 300 dias de sol por ano, sendo até conhecido como Ilha ao Sol. O gelo derrete pouco, mas a neve em contraposição com o sol, fez tudo valer a pena.

Do alto do Pic Blanc, com seus imponentes 3.330 m de altura, sai a mais longa pista preta da Europa, “La Sarenne”. E a vista… não tenho como a descrever! Uma visão panorâmica do todo, de uma altitude inimaginável. Após colocar os esquis, são 16km de descida. Diversão e adrenalina puras!

Esquiar virou uma tradição na nossa família. Uma semana fazendo esporte, ao mesmo tempo em que a cabeça fica livre e relaxada para literalmente “viajar” por pistas, bumps, quedas e teleféricos. Além da liberdade de cada um de fazer aulas e praticar no limite da sua capacidade, de tal forma que todos curtem e evoluem no seu ritmo.

Agora tenho que confessar… Difícil espairecer e manter a cabeça longe do mercado. Especialmente neste momento de mudança global das políticas monetárias para frear a alta da inflação que tem-se mostrado muito mais persistente do que temporária.

Eu tirei férias, mas os mercados não…

Nos EUA, a inflação divulgada hoje cedo aponta para 7,5% ao ano (parece inflação brasileira!). O mercado já prevê altas de juros por lá em todas as 7 reuniões do FED, este ano. A dúvida é se a primeira alta (a ser decidida na próxima reunião, em 16/03) será de 0,25% ou 0,50%.

Aqui no Brasil, a perspectiva também é de aumento da taxa. Apesar do COPOM ter demonstrado um tom mais neutro no início do mês, dando a entender que na próxima reunião a taxa não deveria subir muito, a Ata do Copom divulgada no início desta semana, bagunçou o cenário de novo, sugerindo que novas altas não estão descartadas.

Na Câmara e no Senado, foi apresentada uma proposta para zerar o imposto sobre a gasolina, denominada como PEC dos combustíveis, com o objetivo de reduzir os preços destes e assim amenizar a inflação no país. Uma decisão esquisita como essa pode aumentar a dívida do país, culminando em maior risco fiscal.

Juros para cima, para jogar a inflação para baixo. Essa cartilha explica em boa parte os fortes movimentos de correção nos mercados de ativos de risco, nas últimas semanas. Correção e volatilidade.

Destaque para as criptomoedas que têm se recuperado nas últimas duas semanas (bitcoin subiu mais de 36% nesse período) e para a Bolsa brasileira que segue descorrelacionada do processo de correção global das ações.

Enquanto escrevo este Diário de Bordo, o Ibovespa está perto dos 114 mil pontos, subindo 1,43% no mês até o momento. Os investidores estrangeiros ainda buscam ativos aqui no Brasil, o que está ajudando na boa performance da nossa Bolsa.

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