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Não trate as casas de análise como o Waze dos investimentos

Querer debater a melhor ação com um especialista é o mesmo que discutir com a voz do aplicativo de monitoramento de tráfego. Se você confiou, vá até o fim do destino proposto

Tenho um amigo que adora discutir com a voz do Waze. É o mesmo tipo que deseja boa noite ao apresentador do telejornal e questiona a notícia reportada pelo jornalista. O debate com o aplicativo de navegação é sempre sobre o caminho a seguir. Ele, claro, conhece a situação do trânsito melhor do que um GPS de monitoramento em tempo real.

Quando o Waze pede para virar à direita em vez de ir na direção costumeira, por exemplo, sempre vem com algo do tipo: quer esticar mais o meu caminho, não caio nessa. Poucos metros adiante um congestionamento provoca a ira, que é imediatamente descontada no app: por que não avisou antes para eu ficar na faixa da direita?!

Um fenômeno semelhante acontece com as casas de análise de investimentos. Nos últimos meses, por curiosidade, tenho acompanhado o comentário de seguidores e prováveis assinantes desses serviços – imagino que a interação seja sempre dos que pagam e não dos que querem apenas atazanar a vida…

É curioso notar que o nível de questionamento é semelhante ao do meu amigo: desde o porquê de um determinado ativo entrar ou sair da carteira recomendada até xingamentos sobre uma ação que está em alta e que deveria entrar, sim, como parte daquele portfólio.

Minha primeira impressão é que boa parte dos que pagam para ter acesso à inteligência de um desses profissionais de investimento faz isso pelo prazer mórbido de ser do contra. Perfidamente, quer encontrar um problema para esculachar, falar mal e gritar na sua bolha que aquilo é uma enganação e quem cai é otário. Infelizmente, são todos formados na escola de finanças rasas do YouTube e da ostentação dos “vidalôca day traidêro” do Instagram que exibem o luxo alugado. Acreditam que a melhor ação de todos os tempos da última semana – parodiando Branco Mello e Sérgio Britto – é sempre aquela que não está na indicação do especialista.

Pagar pressupõe acreditar na ajuda de um profissional e seguir a orientação dele. Esse especialista certamente gasta muito mais tempo lendo, ouvindo, conversando e analisando um ativo do que um investidor recém-chegado no universo dos investimentos. Não parece fazer muito sentido prescindir disso em razão da paixão arrebatadora por uma empresa ou por teimosia de achar que a sua forma de pensar é a correta.

A partir do momento que não se compra uma ação da carteira recomendada ou se recusa a vender um determinado papel, a responsabilidade sobre o retorno muda de mãos e passa para quem alterou a indicação. Simples como mexer na prescrição de um medicamento.

Da mesma maneira que todo investidor que se torna cotista de um fundo de investimento precisa estar alinhado com a estratégia e a linha de pensamento do gestor, a assinatura de uma casa de análise é a anuência de que as filosofias estão alinhadas.

O resultado será uniforme e o retorno será semelhante a uma reta? Não, afinal não estamos falando de nenhum esquema de pirâmide. Tenha certeza de que esse caminho é sinuoso, com algumas derrapadas e reduções de velocidade. Mas se você colocou o destino e confiou no especialista, contrariá-lo no meio do caminho é sinal de desespero, despreparo ou arrogância. E um provável prejuízo.

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