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A importância dos dados nessa nova mania ESG

Não tenho dúvidas que esse maior interesse pelo ESG é muito positivo. Mas percebi, nesses últimos meses, que ainda temos um longo caminho pela frente

Nesse semestre, resolvi pegar uma matéria de sustentabilidade no meu mestrado: Responsabilidade Corporativa Aplicada.

Sempre ouvi bastante sobre o tema pela minha mãe, percursora do terceiro setor no Brasil. Mas confesso que até pouco tempo atrás entendia pouco e o associava muito a filantropia. Nos últimos anos, entendi que vai muito além disso.

Desde a primeira aula, me surpreendi com um novo olhar sobre conceitos. O professor questionou: “Quem conseguiria ajudar melhor famílias em situação de furacão com suprimentos, o governo ou o Walmart?”. Eu, sempre muito bitolada com a cabeça focada na última linha dos resultados, comecei a repensar.

Nesses mais de dois meses estudando o tema, li bastante coisa interessante. Sobre o impacto positivo na sociedade, a importância de cuidar de toda a cadeira de produção, sobre energia, água, emissão de gases, diversidade e inclusão, ética, e sobre a expressão que mais gostei “Creating Shared Value” (criando valor compartilhado), que mostra o quando podemos ir além e gerar mais valor com a sustentabilidade. Sabe a ideia de expandir a pizza na negociação, ao invés de focar na soma zero? Então…

Nas últimas semanas comecei o meu projeto da matéria, “benchmarking project”. A ideia é levantar dados financeiros e de sustentabilidade de três empresas nos três últimos anos e compará-los. Inclusive em métricas de intensidade, que são a divisão de uma pela outra (por exemplo, gasto de energia por funcionários ou emissão de gás para cada dólar de lucro), para comparar empresas distintas.

Resolvi focar no mercado financeiro. Em três grandes players americanos – Goldman Sachs, Morgan Stanley e JP Morgan, afinal, eles se mostram tão sustentáveis que achei que seria fácil encontrar as informações. Daí veio a minha primeira surpresa. Dados financeiros? Baba. Todas empresas públicas, super fácil de achar. Dados de sustentabilidade? JP Morgan deu show. Goldman me deu algum trabalho, mas achei. Morgan Stanley foi uma grande surpresa. Apesar de divulgarem relatório anual de sustentabilidade, pouquíssimos dados “padrão”, de forma fácil e comparativa, como os outros.

Ao organizar os dados comparativos, tive outra grande surpresa. Goldman Sachs foi o pior em diversas métricas de intensidade. Fiquei bem assustada, confesso, pois como uma ex-Goldman sempre ouvi muito sobre a importância que a empresa dava para sustentabilidade.

dados sustentabilidade esg

Esses pontos me trouxeram três grandes reflexões sobre o tema – objetivo do trabalho, tenho certeza – que compartilho com vocês:

  • “Ações dizem mais do que palavras”. A nova onda ESG pegou. Tem tanta gente falando tanta coisa. Mas quem realmente está fazendo? E quem faz apenas Green Washing?
  • “Não podemos acompanhar o que não medimos”. Sem dados, impossível analisar e melhorar. Quer evoluir? Quer entender sobre uma empresa? Foque nos dados. É a única forma de tirarmos conclusões pertinentes.
  • A padronização dos relatórios de sustentabilidade é muito importante. Muitos já devem ter ouvido sobre o GRI, ou Global Reporting Standards. Sem isso, percebi que a empresa pode escrever o que quiser, focar onde quiser e esconder o que quiser. Assim como relatórios financeiros são padronizados, é importante termos essa padronização na sustentabilidade se quisermos comparar “bananas com bananas”.

Não tenho dúvidas que esse maior interesse pelo ESG é muito positivo. Mas percebi, nesses últimos meses, que ainda temos um longo caminho pela frente. Espero que a gente possa fazer o nosso papel para incorporar verdadeiramente a sustentabilidade nas nossas empresas e nas nossas vidas – porque todos ganham com isso.

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