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O novo mundo digital e o dilema da autopromoção

Cresci com a cultura do "Low Profile". Do "No Profile". Mas o mundo mudou

Ao pensar no tema do texto de hoje me lembrei da entrevista que fiz no Credit Suisse. Tinha 19 anos e não sabia nem o que era a área que estava entrevistando, mas queria a oportunidade de entrar lá. O desafio me motivava. Eu e mais três homens concorríamos à vaga, e havia outros quatro entrevistadores.

Dentre as primeiras perguntas, uma que achei estranha: “quem aqui fala inglês melhor?”. Fiquei meio perplexa, mas rapidamente os três responderam “eu”. Fiquei quieta. E em um pequeno “exercício de prova” percebi que dominava a língua melhor do que eles.

Foi o primeiro contato que tive com a ideia de “se vender”. Eu estava acostumada com uma realidade mais “modesta”, “humilde”, não sei ao certo a palavra. Se valorizar não era uma atitude valorizada, pelo menos não para mim. Mas naquele dia, ainda sem entender o que fazia ali, percebi que o mundo profissional e a realidade adulta eram bem diferentes do que eu estava acostumada.

Cresci em uma família com a cultura do “low profile”. Casei com um cara praticamente “no profile”. Nada de aparecer, de falar, de valorizar. Apenas fazer e, se bem-feito, será percebido e valorizado, sem a necessidade de mostrar.

O mercado também era relativamente assim há quinze anos. Pouco se ouvia dos nomes ou se conhecia dos rostos dos protagonistas da indústria.

Mas o mundo mudou.

autopromocao

Com a ascensão do digital e das mídias sociais, tudo mudou. Pessoas postam seus looks, abrem suas casas, dividem seus negócios, suas conquistas e seus resultados. Confesso que vejo um grande exagero nesse movimento, mas entendi que, nesse cenário, criar a marca pessoal ficou cada vez mais relevante.

Essa expressão, aliás, eu ouvi pela primeira vez três anos atrás e, desde então, com uma frequência cada vez maior. A ideia é clara: nós precisamos criar a imagem que queremos que os outros fiquem de nós. Lógico que a percepção depende de muito mais do que apenas o que é falado (especialmente por nós), mas por que deixar para os outros a narrativa sobre o que há de mais importante pra nós, nossa marca, reputação?

Com a Vitreo, aprendi sobre a relevância dos gurus. E foi ficando ainda mais claro a necessidade de uma mudança interna nesse sentido.

Virei a chave no ano passado, com os textos no Linkedin e, mais recentemente, com a abertura da minha conta do Instagram. Mas ainda me pego nesses questionamentos “existenciais” do que e como expor. Ontem, li no meu livro do mestrado (Power, de Jeffrey Pfeffer) sobre o “dilema da autopromoção”. Uau, alguém escreveu exatamente o que eu pensava. Pfeffer discorre sobre a importância da nossa reputação, da criação da percepção dos outros, mas, também, sobre o risco de isso tudo soar arrogante.

Como, então, fazer minha marca pessoal, falar das minhas conquistas e resultados sem parecer arrogante? Devo publicar resultados positivos? Reconhecimentos? Notas boas? Ainda não sei a resposta. E confesso que acho bem estranha essa “autopromoção”. Mas também reconheço que passo a admirar muita gente pelo que relatam em seus canais.

O livro de Jeffrey Pfeffer traz uma estratégia: deixar que os outros falem de você e das suas conquistas. No caso, ele sugere até “comprar” alguém para isso. Mas convenhamos que isso é um tanto quanto “joguinho” demais. Não me encanta.

Não sei a resposta. Tampouco o caminho. O que sei é que o mundo mudou e quem ficar “low profile” não terá as mesmas chances. É preciso criar a nossa marca pessoal. Resta, agora, descobrir a melhor forma de fazer isso sem parecer arrogante.

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