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Você tem inteligência emocional para investir?

A cada dia que deixamos de investir, ou não temos inteligência emocional para lidar com os investimentos, estamos perdendo

Na última semana recebi o convite para palestrar no 4º Congresso de Inteligência Emocional, da Faculdade Febracis. Uma ótima oportunidade para expandir horizontes, comunicar com mais gente, ouvir histórias e entender outras perspectivas – bom poder aproveitar esses ganhos, mesmo em um período tão turbulento quanto esta pandemia de coronavírus.

A proposta era falar sobre inteligência emocional ao investir, e inicialmente me peguei refletindo sobre o tema como algo mais abstrato. Ao tangibilizar exemplos de pessoas próximas, entendi que não era algo assim tão distante, e conseguir organizar meus pensamentos.

Antes de falar sobre a apresentação, vamos dar dois passos para trás e lembrar que, em um passado não tão distante, pouco se falava sobre investimentos no Brasil. Seja pelo histórico de taxas de juros mais altas ou pela restrição da indústria de investimentos, boa parte dos brasileiros deixava o dinheiro no banco, no primeiro produto sugerido pelo gerente, inclusive na poupança. Isso acontece até hoje, infelizmente, mas bastante gente está mais atenta ao assunto.

Com a queda nas taxas de juros e o surgimento da “indústria 2.0 de Investimentos”, com as plataformas independentes, vimos começar o tal do “Financial Deepening”, que segue com plena força. Cada vez mais gente querendo (e precisando) investir melhor. E diferente do que muitos ainda pensam, investir é para todos, não apenas para os mais afortunados, amantes de risco ou conhecedores da economia.

O que é necessário é entender a importância de investir.

Começar o processo de forma correta – conhecendo o seu perfil de investidor e montando uma carteira personalizada, com foco no longo prazo. Aí vem a parte difícil: ter inteligência emocional nesse processo.

Feita essa pontuação, destaco aqui os três tópicos que coloquei na apresentação:

  1. Precisamos evitar comparações. Cada perfil é um. Cada realidade é uma. Assim como em dietas, cada pessoa tem seu objetivo, suas restrições, seu biotipo, as indicações e preferência do seu médico a seguir. Se você copiar o que Fulano ou Beltrano estão fazendo, existem grandes chances de você não atingir o seu objetivo.

    Isso vale para os investimentos. Não faz o menor sentido se espelhar na carteira de uma jovem adolescente de 21 anos, sem filhos, sem gastos, com desejo de estudar fora no próximo ano. Ou de um senhor de 75 anos que parou de trabalhar e vive de renda.

    Assim é fácil evitar comparações, né? Mas fica mais difícil quando o primo nos conta no churrasco da família que ganhou 15% com apenas uma operação de curto prazo. Ou se a amiga relata um retorno de dois dígitos por muitos meses seguidos. Meu conselho é: não caia nessa. Se tem ganho relevante, também teve risco. E é mais fácil “ver as pingas que eles tomam do que os tombos”, não é?
  2. Não existe bala de prata. Pra ninguém. Os grandes investidores ganham dinheiro no longo prazo. Com diversificação, consistência, paciência, cautela. Não com “um trade mágico de um dia para o outro”, nem com o “primeiro dia da oferta de determinada ação”. Claro, existem boas escolhas, existe sorte no inesperado, mas geralmente são anos de dedicação, análise e paciência para colher os frutos. E estamos falando de profissionais que estudam e vivem disso… imagina então para quem não faz isso como tarefa principal?
  3. É importante focar no longo prazo. Claro que, se não há um longo horizonte de tempo, é melhor investir mesmo em algo pensado para o curto prazo do que não investir. Mas ao analisar e entender o seu objetivo de longo prazo é possível traçar uma carteira apropriada, equilibrada, e que certamente sofrerá volatilidade. Outra dica: evitar a ansiedade é fundamental em momentos difíceis. Imagine se você tivesse resgatado todos seus fundos de ação em março de 2020? Teria realizado um grande prejuízo com a bolsa na faixa de 70 mil pontos. Se tivesse segurado, em pouco tempo já voltaria para patamares mais altos. Diversos estudos mostram que o investidor que reage a cada movimento tem, no longo prazo, um retorno pior do que aquele que mantém a sua carteira por um período maior. Claro, revisões são necessárias. Dependendo do cenário macro, da sua situação, eventos, mas não com a frequência que muitas vezes as pessoas fazem.

Reforço: investir é para todos. Não precisa ser milionário ou amante de risco. Mas precisa ter autoconhecimento para entender o seu perfil (e nem sempre isso é imediato). Os objetivos, a propensão a risco, os medos, as preocupações. Precisa evitar comparações. Ninguém é igual. E, principalmente, precisa entender que o foco é no longo prazo. Investir não é cassino.
A cada dia que deixamos de investir, ou não temos inteligência emocional para lidar com os investimentos, estamos perdendo.

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