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Ilana Bobrow: O que meu lado comercial aprendeu com a pandemia

Ao mesmo tempo que conectamos menos, aproximamos mais. Parece antagônico, né?

Ao mesmo tempo que conectamos menos, aproximamos mais. Parece antagônico, né?

Por Ilana Bobrow, sócia fundadora e diretora de relacionamento da Vitreo

Quando toda essa loucura começou, imaginei que ficaríamos alguns dias em casa. Uma semana, duas. Jamais imaginaria que seguiríamos por tanto tempo em modelo remoto, ou híbrido. 

Sou daquelas comerciais que gosta de um encontro presencial. Do olho no olho. Do feeling, da receptividade de cada frase. Do almoço que aproxima, o “quebra-gelo” que humaniza as relações.  

Impossível trazer isso para o virtual, pensava eu. E vale dizer que faço mestrado remoto desde 2018, além de ser adepta das ligações de vídeo com família e amigos muito antes de isso ser a forma segura de nos comunicarmos. 

E, cá estamos. Um ano e meio de pandemia. D-E-Z-O-I-T-O meses com um escritório montado em casa (e com as interrupções diárias das crianças nos meus calls). Se percebi algo neste período é que temos, de fato, a capacidade de nos adaptarmos.  

Todo mundo precisou de alguma adaptação: a família ao trabalho remoto, as crianças às nossas reuniões, os colegas de trabalho à trilha sonora de fundo e os comerciais a essa nova realidade, de relacionamento virtual, com substituição das reuniões por videochamadas, calls ou mesmo por uma troca de áudios e mensagens pelo WhatsApp. 

O maior desafio, na minha visão, é sobre a conexão. Na vida de reuniões presenciais, é mais fácil a gente não perder o contato com o interlocutor. Estamos lá, frente a frente, olho no olho, sem muito espaço para usar o celular ou simplesmente desconectar. O mundo virtual é diferente. É fácil se distrair, abrir uma nova tela, “aproveitar para responder uma mensagem” (que atire a primeira pedra quem ainda não fez isso). Parece que o outro lado não percebe.  

E é justo aí que a gente se perde. Porque o outro lado percebe sim.  

Outro dia, li em um livro que devemos sorrir, mesmo que ao telefone, pois o outro consegue perceber. Isso nunca fez tanto sentido. É fácil a gente perceber o engajamento por parte de quem estamos falando. Inclusive nas telas. Se a iluminação do rosto muda de cor, se a pessoa fala algo com o microfone no mudo, ou se começa com muitos “ahns” ou “sims”, pode acreditar, ela está vendo outra tela, falando com outra pessoa ou trabalhando em outro assunto. E isso é muito frustrante para quem está com a palavra.   

Também ficou mais difícil quebrar o gelo sem o papo de corredor, um comentário sobre o café, tempo, sala, quadro, o que for. Atrasos permitidos? No máximo cinco minutos (por aqui, se passarem dois, o Patrick já está me chamando no WhatsApp).  

Por outro lado, essa nova realidade trouxe também dois grandes ganhos: uma maior otimização de tempo, com muitas “antigas reuniões” transformadas em calls mais rápidos, ou mesmo e-mails/mensagens; e o que eu considero fundamental: uma maior aproximação com a pessoa física por trás do CNPJ representado.  

A foto no WhatsApp traz um assunto que aproxima. O áudio no meio do dia muitas vezes vem com um “desculpe o barulho, estou no trânsito pois…”, que igualmente aproxima. A troca no final de semana proporciona um contato mais leve, dificilmente explorado no dia a dia das salas de reunião e cartões de visita. Além de todo um maior contato com casas, famílias e questões de saúde que passamos a ter uns com os outros.  

Parece antagônico, né? Ao mesmo tempo em que conectamos menos, aproximamos mais. Mas é bem nisso que eu acredito. E como comercial, ouso dizer que essa aproximação pode trazer ganhos de longo prazo que superam qualquer desconexão temporária.   

  

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