A plataforma de brand journalism da Ovo Comunicação

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Ilana Bobrow: O tempo, a falta de controle e a tal da limonada 

Cabe a nós decidir se viveremos a angústia do não controle ou se aproveitaremos o que podemos desse tempo

Cabe a nós decidir se viveremos a angústia do não controle ou se aproveitaremos o que podemos desse tempo 

Por Ilana Bobrow, sócia fundadora e diretora de relacionamento da Vitreo

Eu sempre gostei de estudar. Aluna dedicada, estudiosa, dessas que sai da prova achando que mandou mal e tira um 9,5 (e ainda fica brava com o meio ponto que faltou). Na minha época, famosa “CDF”. Não tinha ideia que a maior escola da minha vida viria sem livros ou provas. Ou, o mais difícil, sem o professor que ensina e tira dúvidas.  

Eu ouvia que a maternidade ensinava. Mas não fazia ideia o quanto. 

Logo que me tornei mãe, vivi um desafio enorme que, hoje sei, estava muito ligado com a falta de controle. Com a maternidade eu entendi que a gente não controla nada, seja o sono bagunçado, o choro indecifrável ou a febre que aparece de repente. A gente não controla, não entende e, muitas vezes, não consegue resolver.  

Incrível o quanto aprendi nesses quase cinco anos com meus filhos. O que parece clichê, eu aprendi comigo. Com a pessoa que me tornei após virar mãe. Com as reflexões que se instalaram. Com a minha forma de lidar e agir com todas as novidades e desafios que aparecem. 

Nesse final de semana, uma febre inesperada e indecifrável me trouxe uma nova reflexão: tem coisas que apenas o tempo resolve.  

Como é duro para uma pessoa ansiosa aceitar isso em paz. Aceitar que não tem o que fazer, a não ser esperar. Foram tantas viroses nesses anos, tantas noites sem dormir, tanta angústia. Eu ainda estou aprendendo a lidar com isso de uma forma mais razoável e racional. Tentando entender o que dá pra tirar de aprendizado. E fui percebendo o quanto essas situações e sensações se conectam com a minha vida profissional também.  

Eu sempre tive cara de menina. Ok, ainda não me considero “madura”, “experiente” ou qualquer palavra que quiserem usar, mas meu rosto sempre sugeriu menos do que os meus trinta e três anos. Dizem que em algum momento vou gostar disso, mas ficava bem brava quando me pediam RG em cinema ou na porta da balada. Faz parte.  

Mas quando comecei no mercado financeiro eu achei que isso poderia me atrapalhar muito. A menininha passaria uma cara de pouca responsabilidade, pouca experiência e dificilmente ganharia credibilidade. 

Até que recebi a dica de uma grande amiga, quinze anos mais velha, e com essa mesma questão; óculos e colar de pérola não falham. Por algum tempo, tive esse mantra sempre comigo. “Preciso parecer mais velha”, pensava. Isso foi mudando com o tempo. Hoje, não tenho vergonha de dizer a minha idade, de usar roupas sem querer parecer nada ou até brincar no pula-pula na festinha das crianças. O que tem de errado com isso?  

Acho, inclusive, que mudamos muito enquanto sociedade nesse sentido. O traje mais informal, tantos “moleques” fazendo história, idade e aparência contando menos do que resultados.  

Mas sabe o que não mudou? O mesmo que vivi nesse final de semana com a minha filha. Tem coisas que só o tempo resolve. Eu posso ter a cara que for, posso caprichar na pérola e na maquiagem, mas, por enquanto eu terei meus quatorze anos de experiência no mercado. E ponto. Isso só muda no ano que vem. A virose não vai passar mais rápido, eu não posso fazer nada para isso. A flor precisa de tempo pra florescer. A lagarta, pra virar borboleta.  

O que nos resta, então? 

Esperar. E aproveitar esse tempo da melhor forma possível. Ele vai passar. Cabe a nós decidir se viveremos a angústia do não controle ou se aproveitaremos o que podemos desse período. 

Engraçado que foi a mesma reflexão que fiz ao assistir a um seriado na última semana. “For Life”, da Netflix, conta a história de um preso que se diz inocente e resolve estudar Direito de dentro da cadeia para fazer a sua defesa. Ele poderia viver esses nove anos de qualquer maneira. Poderia ficar apenas sofrendo, afundado na sua angústia. Mas resolveu aproveitar esse tempo da melhor forma possível. 

Sabe a história de fazer do limão, limonada? Pois é… Talvez esse seja um dos poucos controles que a gente possa ter. 

Clientes

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Clientes