3 perguntas para Andre Algranti, diretor de Distribuição e Novos Negócios da Avenue

Andre Algranti

1) Nas últimas semanas, a Avenue anunciou conquistas importantes, entre elas o aporte de US$ 30 milhões do Softbank, a Avenue Banking (conta bancária no exterior com cartão de débito) e a marca de 300 mil clientes ativos. O que tem possibilitado este bom momento?

Uma confluência de fatores: queda brutal dos juros; perda de poder de compra do real perante o dólar; maior disseminação de informações sobre o setor financeiro; um leque de produtos e serviços no Brasil ainda insuficiente para atender a demanda dos investidores – esse leque, embora seja bem maior do que no passado, é tímido perto do que se tem nos Estados Unidos, o maior mercado de capitais do mundo. Some-se a isso a facilidade com que hoje o brasileiro pode acessar, de modo direto, ativos internacionais. E não precisa ser rico. As pessoas entenderam que investir no exterior pode ser tão fácil como investir a partir da corretora ou do banco da esquina. Abre-se a conta em minutos, é fácil transferir dinheiro e fazer o câmbio, a gente simplifica e resolve para o cliente toda a burocracia em relação a imposto de renda e afins… Tudo isso em conformidade com as regulações brasileiras e americanas. A tendência é que, no ano que vem, esse movimento no país seja ainda mais intenso, dado o cenário com turbulências políticas, eleições presidenciais, questões fiscais, desempenho pífio da economia etc. A internacionalização da vida financeira do brasileiro chegou a um ponto de não retorno.

2) Quais as próximas novidades, objetivos a serem alcançados? Pode adiantar algo?

Tornaremos a nossa plataforma cada vez mais completa e robusta, para que os nossos clientes aproveitem ao máximo os benefícios da internacionalização. Nos próximos meses, vamos colocar no ar a nossa plataforma de fundos de investimento, nossas carteiras administradas em parceria com a BlackRock, um dos maiores gestores do planeta. Eles vão fornecer pra gente toda a inteligência dos portfólios, e nós faremos a gestão. Também num futuro próximo, vamos começar a abrir contas para pessoas jurídicas, as PICs (Private Investment Companies) – empresas constituídas no exterior (offshores) –, uma estrutura muita utilizada pelo segmento private. Por fim, estamos estudando a possibilidade de, em 2022, entrar na renda fixa, nos mercados de crédito e seguros, e trabalhar com produtos mais sofisticados de renda variável, como opções, futuros etc. 

3) Em que medida a subida da taxa básica de juros no Brasil preocupa quem tem como negócio a renda variável? Até que ponto isso torna menos atraente o investimento no exterior?

A Selic deve ir para algo entre 7 e 8% ao ano, um patamar que não é impeditivo para o mercado de renda variável. Também não acho que investir no exterior fique menos atraente. Veja, por exemplo, os rendimentos consistentes registrados nas bolsas americanas: nos últimos 50 anos, o S&P teve um retorno médio em torno de 11% ao ano – em dólar, é claro. E mesmo num cenário extremo – que eu não acredito que vá acontecer – de voltarmos a ver uma taxa básica acima de 10%, se considerarmos questões como o câmbio, a instabilidade política e o risco fiscal no Brasil, ainda assim faz muito sentido para o brasileiro ter dinheiro no exterior e nas bolsas americanas em particular. Com os reais desvalorizando, é preciso preservar seu patrimônio e seu poder de compra, por meio da exposição à moeda e à economia mais fortes do mundo. Quando me perguntam se investir nos Estados Unidos não seria apenas para alguém com perfil muito arrojado, digo que agressivo é quem tem 100% dos seus recursos investidos em reais, no Brasil.

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