Ilana Bobrow: O que é sorte para você?

Nas palavras de um amigo as quais tomei como ensinamento, é quando uma fração de segundo se encontra com milhares de horas de preparação

Por Ilana Bobrow, sócia fundadora e diretora de relacionamento da Vitreo

Há algum tempo, ouvi de um grande amigo meu que sorte é quando uma fração de segundo se encontra com milhares de horas de preparação.

Refleti bastante.

Muitas vezes ouvimos, pensamos ou falamos “que sorte” diante de um case de sucesso, de uma performance acima da média, de um lance espetacular. Muitas vezes deixamos de associar o bom resultado ao esforço e ao talento de quem chegou lá.

Na semana passada, a frase do meu grande amigo fez sentido como nunca.

Na quinta-feira, vivi um dos momentos mais difíceis, se não o mais difícil, da minha vida. Minha filha de dez meses engasgou feio. Quando me pediram socorro, ela já estava roxa, apática. Só de lembrar, sinto um aperto indescritível. Foram segundos. E milhões de pensamentos se fizeram presentes.

Eu sabia o que fazer. Havia me preparado. Fui motivo de chacota na família por ter feito um curso de primeiros socorros. Aliás, sou constantemente alvo de piada por causa das minhas neuras e medos em relação às crianças. Sei que sou exagerada nesse aspecto, mas não me arrependo do curso nem dos vídeos assistidos a cada história de engasgo da qual eu tomava conhecimento. Foi isso que me preparou para o episódio. Com uma manobra técnica, consegui desengasgar minha filha.

“Nossa, que sorte!”

Sem dúvida, acredito na mão de Deus. No acaso. Tive sorte de estar em casa naquele momento, de ter revisto um vídeo recentemente, de ter conseguido “manter a calma” (dentro do possível). Mas… Nunca fez tanto sentido a frase do meu grande amigo: a fração de segundo encontrou horas de preparação.

Já ouvi esse tipo de “discurso” de médicos, de empreendedores, de gestores, de gente que se prepara por anos a fio para ter “sorte” em casos específicos. Sorte existe, mas ela gosta mais dos preparados.

Muitas vezes, as coisas não parecem fazer sentido quando a estamos vivendo; parece que a gente se esforça para nada – um círculo vicioso em que remamos, remamos e morremos na praia. Na verdade, o aprendizado jamais é em vão. É ele a preparação necessária se queremos ter a chance de cruzar com a sorte, em uma fração de segundo, e aproveitá-la da melhor maneira.

Depois do susto, ficou ainda mais claro quão importante é a gente estudar. Treinar. Se dedicar. Pelo tempo que for preciso. Sem isso, é muito difícil contar com a sorte. Para vencer uma guerra, é preciso se preparar ainda em tempos de paz. Os grandes líderes sabem disso.

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