Ilana Bobrow: Como fazer amigos e influenciar pessoas?

Agradar os outros passa por ouvir mais do que falar, passa por se interessar pelo interlocutor. Por isso, a resposta para a pergunta acima tem a ver com domar o próprio ego

Por Ilana Bobrow, sócia fundadora e diretora de relacionamento da Vitreo

Agora em julho, tive a companhia do best-seller “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, de Dale Carnegie. Estava ansiosa pelos ensinamentos do autor. Sempre achei que influência fosse algo nato. Mas, há algum tempo, percebi que, assim como liderança, é um skill que pode ser trabalhado. Daí meu interesse pelo tema, em linha com uma matéria com a qual terei contato na volta do meu mestrado.

O livro traz lições “direto ao ponto”, com exemplos simples de serem entendidos. Achei, inclusive, que há exemplos demais, o que o torna um pouco cansativo a certa altura. O principal conceito que ficou para mim é sobre agradar o outro.

Curioso. Na terapia, por anos trabalhei minha necessidade de querer agradar. Foram anos para aprender a dizer não. Anos para emitir minha opinião honesta sobre as situações. Anos para deixar de lado a fama de puxa-saco de professor (até hoje não sei se perdi). Gosto de agradar! Gosto de fazer com que as pessoas se sintam especiais, donas da minha atenção. Gosto do presente sem expectativa, da mensagem de cuidado e do sorriso que recebo quando se sentem únicas.

De certa forma, a obra comprova que, tudo isso de que sempre gostei de fazer, funciona. E antes que me acusem: meu comportamento não tem segundas intenções. Nenhum professor daria nota boa para uma aluna apenas por tê-lo presenteado com meias.

A maior novidade que o livro me trouxe é a de que como agradar os outros, e consequentemente fazer amigos e influenciar, pode ser cansativo. Seja porque a gente se dedica a temas que não necessariamente são do nosso interesse (tipo puxar uma conversa sobre vinhos sendo abstêmio), seja porque temos de deixar o nosso ego de lado.

É que muitas vezes agradar os outros passa por ouvir mais do que falar – um desafio para nós, tagarelas. Por alimentar mais as histórias do interlocutor do que as nossas próprias histórias. Difícil falar abertamente sobre ego, né? O fato é que a pessoa que olha muito para si e menos para os que estão à sua volta acaba não agradando. Fica complicado fazer amigos e influenciar.

Essa é uma lição importante. Afinal, quem não gosta de ser elogiado, atrair as atenções, ter palco e reconhecimento?

Seja nas relações pessoais, seja nas profissionais, ouvir o outro, prestar atenção no outro é fundamental. E – falo por mim – que seja de modo genuíno. Quem nunca sentiu a diferença entre se sentir verdadeiramente ouvido e falar com as paredes?

A vida é sobre troca. Precisamos enxergar as relações como uma via de mão dupla, um jogo de “ganha-ganha”, em que ora somos protagonistas, ora coadjuvantes. Fazemos amigos e influenciamos pessoas quando desinflamos nosso ego em benefício do ego alheio.

Deixe uma resposta