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Ilana Bobrow: Eu, eu mesma e Ilana

Um grande executivo pode ser também um pai babão, marido carinhoso, piadista de mão cheia. Uma grande executiva pode ter postura forte no escritório e inúmeras fragilidades em casa. Pode ser brincalhona, com foto divertida nas redes sociais...

Um grande executivo pode ser também um pai babão, marido carinhoso, piadista de mão cheia. Uma grande executiva pode ter postura forte no escritório e inúmeras fragilidades em casa. Pode ser brincalhona, com foto divertida nas redes sociais…

Por Ilana Bobrow, sócia fundadora e diretora de relacionamento da Vitreo

ilana_bobrow

Eu me lembro perfeitamente do que vesti na minha primeira entrevista de emprego, para uma vaga na área macroeconômica do Credit Suisse: calça preta, camisa branca e um casaquinho roxo emprestado do armário da minha mãe. A entrevista foi numa quinta-feira e já quiseram que eu começasse a trabalhar na segunda.

Como se pode imaginar, aquele fim de semana foi uma correria; mal tive tempo de assimilar a novidade. Fui a duas lojas, pois não tinha roupa para a ocasião, por assim dizer. Comprei peças formais, de corte reto, tudo muito diferente do meu figurino até então. Quando as experimentei, não me reconheci.

O vestuário é uma boa metáfora de como me senti nos meus primeiros anos profissionais. Tinha a roupa de trabalho, e a roupa de lazer. A Ilana profissional, e a Ilana pessoal. Dependendo de onde estivesse, eu mudava meu jeito de falar, agir, gesticular etc.

Brinco que o RG e meu crachá não se misturavam. E isso me rendeu bons meses de conversa séria na terapia. Eu queria muito ser a mesma pessoa dentro e fora do escritório. Afinal, não é assim que são os profissionais mais bem-sucedidos, sejam os donos, sejam aqueles com “postura de dono”?

Comecei a fundir as duas Ilanas em 2012, quando entrei na XP, e, desde então, nunca mais me dividi em duas. No início da Vitreo, já mãe, vivenciei essa junção de forma ainda mais intensa, muito potencializada pela pandemia (quem não fez uma reunião com choro de bebê ou interrupção de criança vazando pelo Zoom, que atire a primeira fralda!).

Foi também durante a pandemia que voltei para o Instagram. Não postava nada havia quase dois anos. E o que me motivou a regressar tem muito a ver com essa questão, a do “Eu Pessoa Jurídica X Eu Pessoa Física”. Sabe o que eu procuro na rede social? Mostrar que essas duas pessoas estão em mim o tempo todo. Mostrar os desafios de uma mãe de três filhos que gosta de trabalhar, de empreender, de estudar, de se dedicar à casa e à família, de administrar todos esses papéis sem derrubar os pratos.

Dias atrás, eu brincava com meus filhos no pula-pula quando tive um estalo. Me veio a ideia de postar. Deu vontade de dividir com quem me acompanha esse lado criança que existe em mim. Adoro uma brincadeira, uma bagunça – subo no escorregador, pulo na cama elástica, brinco de corrida, de bola. Mergulho de cabeça nesse mundo encantado.

Mas daí pensei: “Será que isso pode passar a imagem de que não sou séria?”. (Pausa dramática. Reflexão.) Sou séria. Quando precisa. E sou brincalhona. Quando o ambiente permite. Por que esses dois lados não podem conviver em uma mesma pessoa? Aliás, não conheço quem não tenha mais do que um lado, mais do que uma face. Em geral, carregamos dentro da gente muitos “eus”, não?

Um grande executivo pode ser também um pai babão, um marido carinhoso, um amigo presente, um piadista de mão cheia. Uma grande executiva pode ter postura forte e decidida no escritório e inúmeras inseguranças e fragilidades em casa. Pode ser essa mãe brincalhona, com a foto da diversão nas redes sociais.

Só porque uso salto no escritório, não posso revelar que meu calçado favorito é uma Birkenstock? Só porque faço apresentações com seriedade e dados, não posso ficar insegura sobre a educação dos filhos? Só porque dou eventualmente um feedback mais duro, não vou me permitir cantar na Happy Hour da firma (não estou falando a respeito de afinação…)?

Escrevendo este texto, voltei no tempo e fiquei feliz por não mais separar o RG do crachá. Cada um de nós é um ser multifacetado, complexo, plural. Somos um mosaico de características e comportamentos distintos e justapostos. Tendo bom-senso e respeitando os limites comuns da vida social, todos merecemos ter a liberdade de ser quem somos. Sem culpa. Sem rótulos. Sem estereótipos. Sem pré-conceitos.

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