Ilana Bobrow: O que aprendi com – e sobre – o trabalho remoto

O home office pode fazer você produzir mais e melhorar sua vida pessoal

Por Ilana Bobrow, sócia fundadora e diretora de relacionamento da Vitreo

Ontem fizemos uma reunião presencial. Eu, minha máscara N95, meu álcool gel e mais três pessoas também devidamente paramentadas. Como me faz bem o contato com as pessoas; olhar no olho, trocar. Sei que é uma das minhas características comerciais, esse lado extrovertido que adora um encontro.

Nos meus anos sem trabalhar, dedicada integralmente à prole, me empenhei em uma causa voluntária. Quis levar a sério, focar mesmo. E não conseguia fazer isso de casa. Para mim, trabalhar pressupunha estar em um escritório, ver gente, conversar.

Então pedi a um amigo, da família patrocinadora da causa, que me cedesse um cantinho na sua empresa. E assim segui minha jornada voluntária, que acabou durando menos do que eu imaginava, em razão da dedicação que tive de direcionar ao início da Vitreo.

Sempre fui cética em relação ao trabalho remoto – ou home office, como eu costumava chamar. Quando alguém pedia para trabalhar de casa, imaginava que era porque a pessoa tinha algo particular a resolver. Errei. Feio. E peço desculpas a todos a quem eu possa ter julgado de forma injusta.

Hoje, quinze meses após montar meu escritório em casa, vejo que é possível não só trabalhar, como performar bem, remotamente. Na Vitreo, a decisão de migrarmos para esse modelo foi muito rápida. Em 16 de março de 2020, uma segunda-feira, conversamos e decidimos que nada mudaria. Na terça, mudamos de ideia, e, na quarta, já estávamos todos em casa.

Éramos pouco mais de 50 pessoas à época e nascemos com tudo in cloud. Foi fácil o movimento. Difícil era imaginar como seria o nosso dia a dia no novo formato. Como faríamos reuniões, contratações, mensuraríamos dados e o desempenho do time.

De lá pra cá, a empresa quintuplicou de tamanho, passamos de R$ 2 bilhões para R$ 11 bilhões em ativos sob custódia. Mais do que dobramos o número de clientes ativos, atualmente em 100 mil, e triplicamos a equipe. Somos 185 vidrad@s. Setenta por cento destes passaram por um onboarding totalmente digital e nunca pisaram no escritório. Diferente do que eu pensava, o “almoço de boas-vindas” não é tão necessário.

Tem mais: nesse tempo, colocamos a nossa DTVM de pé. De maneira remota. Isso é histórico. Remodelamos o nosso setor de relacionamento, turbinamos o marketing, implementamos o modelo de squads no time de tecnologia. Tudo de casa. Pelo teams. Aprendemos sobre ferramentas, controles e descobrimos uma nova forma de estar próximos.

No meio do processo, me questionava se era possível substituir o papo do café, as trocas no elevador ou o networking na happy hour. Ainda vejo relevância nisso. Mas aprendi que existem formas de se manter perto mesmo a distância.

Criamos a #umteamsdedistancia, uma iniciativa para ressaltar a todos da Vitreo que estávamos conectados uns aos outros. Todos poderiam e deveriam ter liberdade para acessar quem quisessem. Consegui ficar próxima do meu time, apesar da tela que nos separava.

Sem dizer dos benefícios que o trabalho remoto trouxe para a vida pessoal. Menos trânsito e maior proximidade com a família, entre outros. Por aqui, achei que seria catastrófico. Na segunda noite de home office, chorei para o meu marido. Disse que não daria conta de trabalhar com as crianças em casa, fazer meu mestrado, ainda mais grávida.

Não poderia estar mais enganada. Houve inúmeros ganhos. Consegui conciliar a gravidez e o nascimento da minha terceira filha com o trabalho. Sem custo para nenhum dos lados. Conheci meus filhos, marido e minha casa como nunca. Tive chamegos no colo após sonecas e almoço em família em plena quarta-feira. Sem deixar de produzir!

Sim, o trabalho remoto funciona. Pode ser até mais produtivo para alguns e melhorar questões pessoais. Se eu pretendo ficar remota quando a pandemia passar? Não. Continuo preferindo a troca e o calor humano, como na reunião de ontem. Tenho a certeza, porém, de que aproveitei todos os aprendizados e oportunidades que esse experimento me trouxe. E, como ele segue, sigo aproveitando.

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